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Grupos acadêmicos tentam salvar missão da Nasa a Vênus
Um grupo de organizações acadêmicas dos Estados Unidos lançou uma campanha para salvar uma das missões a Vênus planejadas pela Nasa para esta década, congelada por tempo indeterminado pela agência espacial americana a partir de sua proposta de orçamento para 2024.
A campanha para salvar a missão Veritas, lançada na última quarta (5) pela ONG Sociedade Planetária (fundada por Carl Sagan) e encampada pela União Geofísica Americana, a Universidade do Alasca em Fairbanks, a Universidade Tulane, em Nova Orleans (Louisiana), e o Mount Holyoke College, em South Hadley (Massachusetts), pede que o Congresso americano estabeleça uma nova data de lançamento que não exceda 2029, forçando a Nasa a designar recursos para o projeto.
O problema todo começou com outra missão, a Psyche, que vai ao cinturão de asteroides e é coordenada pelo JPL, o Laboratório de Propulsão a Jato da agência espacial. Após um atraso no lançamento (que deveria ter ocorrido no ano passado), um painel independente chegou à conclusão de que o JPL tinha problemas de organização e pessoal, com falta de equipe adequada para cumprir todas as suas tarefas – dentre elas a realização da Veritas.
Para garantir que a Psyche voe com sucesso em outubro próximo e que não haja impacto em outras missões de alta prioridade, como a Europa Clipper (com lançamento marcado para 2024), a Nasa decidiu, no fim do ano passado, levar a Veritas ao altar do sacrifício, interrompendo os trabalhos – que até então estavam no prazo e dentro do orçamento para um voo em 2027.
Com a concretização desse plano (e a zeragem de verba no orçamento proposto para a Nasa no ano que vem), veio a grita da comunidade acadêmica, que há tempos espera uma nova missão a Vênus, uma espécie de "gêmeo mau" da Terra com atmosfera ultradensa e temperatura de 460 graus Celsius à superfície que ganhou atenção recente com evidências de vulcanismo e potenciais bioassinaturas na alta atmosfera.
Os grupos acadêmicos apontam que, além de atrasar a exploração venusiana com o potencial para perder a liderança para outros países (a China pretende lançar um orbitador em 2026), o projeto sabota colaborações internacionais, já que europeus já haviam comprometido mais de US$ 90 milhões em instrumentação e apoio à missão. Para retificar isso, o Congresso poderia estabelecer uma data de voo em 2029, já contemplando dois anos de atraso para resolver os problemas internos do JPL.
Não seria a primeira vez que os congressistas são chamados a salvar missões submetidas a cancelamentos ou adiamentos indefinidos pela Nasa. Entre as que voltaram do limbo por força deles estão a última missão de reparos ao Telescópio Espacial Hubble (sem a qual ele já teria sido desativado) e a New Horizons, sonda que visitou Plutão em 2015.
Uma segunda missão a Vênus selecionada pela Nasa junto com a Veritas no programa Discovery, a Davinci+, segue em andamento para lançamento em 2029. Mas, como as duas são complementares, o plano americano de exploração venusiana no momento se equilibra em uma perna só.
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