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ANCILA NEGRA
(Jorge de Lima)
Há ainda muita coisa a recalcar, Celidônia, ó linda moleca ioruba que embalou minha rede, me acompanhou para a escola, me contou histórias de bichos quando eu era pequeno, muito pequeno mesmo.
Há mais coisa ainda a recalcar: As tuas mãos negras me alisando, os teus lábios roxos me bubuiando, quando eu era pequeno, muito pequeno mesmo.
Há muita coisa ainda a recalcar ó linda mucama negra, carne perdida, noite estancada, rosa trigueira, maga primeira.
Há muita coisa a recalcar e esquecer: o dia em que te afogaste, sem me avisar que ias morrer, negra fugida na morte, contadeira de histórias do teu reino, anjo negro degradado para sempre
Celidônia, Celidônia, Celidônia!
Depois: nunca mais os signos do regresso.
Para sempre: tudo ficou como um sino ressoando.
E eu parado em pequeno, mandingando e dormindo, muito dormindo mesmo.
LIMA, Jorge de. Poemas negros. 1ª ed. amp.. Rio de Janeiro: Alfaguara, 2016.
É possível afirmar que, nesse texto, as funções da linguagem mais sobressalentes são