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O romance Torto Arado, de Itamar Vieira Junior, contextualiza historicamente as vivências das populações negras rurais no Brasil, especialmente no tocante à negação de direitos fundamentais.
Meu povo seguiu rumando de um canto para outro, procurando trabalho. Buscando terra e morada. Um lugar onde pudesse plantar e colher. Onde tivesse uma tapera para chamar de casa. Os donos já não podiam ter mais escravos, por causa da lei, mas precisavam deles. Então, foi assim que passaram a chamar os escravos de trabalhadores e moradores. Não poderiam arriscar, fingindo que nada mudou, porque os homens da lei poderiam criar caso. Passaram a lembrar para seus trabalhadores como eram bons, porque davam abrigo aos pretos sem casa, que andavam de terra em terra procurando onde morar. Como eram bons, porque não havia mais chicote para castigar o povo. Como eram bons, por permitirem que plantassem seu próprio arroz e feijão, o quiabo e a abóbora.
VIEIRA JUNIOR, Itamar. Torto Arado. São Paulo: Todavia, 2019, p. 204
O fragmento selecionado da obra Torto Arado é eminentemente narrativo. Essa afirmação se confirma, pois há nele: