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O UNIVERSO VISTO PELO BURACO DA FECHADURA (com adaptações) Eduardo Galeano Na sala de aula, Elsa e Ale sentavam juntas. Nos recreios caminhavam de mãos dadas pelo pátio. Dividiam os deveres, os segredos e as travessuras. Um dia, de manhã, Elsa disse que tinha falado com a avó morta. Desde então a avó começou a mandar mensagens para as duas. Cada vez que Elsa mergulhava no rio e afundava a cabeça na água escutava a voz da avó. Um dia Elsa anunciou: – Vovó diz que vamos voar. Tentaram no pátio da escola e na rua. Corriam em círculos e em linha reta até caírem exaustas. Se arrebentaram umas quantas vezes saltando dos muros. Elsa afundou a cabeça na água e a avó disse: – No verão vocês voam. Chegaram as férias. As famílias viajaram para praias diferentes. No fim de fevereiro Elsa voltava com seus pais a Buenos Aires. Pediu que parassem o carro na frente de uma casa que nunca tinham visto. Ale abriu a porta – era Ale que morava ali, como Elsa sabia? – Voou? – perguntou Elsa. – Não – disse Ale. – Nem eu – disse Elsa. Se abraçaram chorando. Eduardo Galeano, no livro “Dias e noites de amor e de guerra”. tradução Eric Nepomuceno. Porto Alegre: L&PM, 2001.
Assinale a alternativa em que a palavra ‘até’ tem o mesmo sentido que na frase “Corriam em círculos e em linha reta até caírem exaustas”: