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UM FUSCA
- Cês viram que roubaram o Fusca
do Paulinho?
Estávamos num jantar de aniversário. Como de costume falou se dos amigos ausentes, e então alguém deu a notícia trágica.
Sei que Fuscas não valem grande coisa e todos os dias centenas de carros são roubados em São Paulo. Mas aquele era um carro especial.
Seu valor não podia ser medido em reais.
Voltar pra casa de carona no Fusquinha, com o barulho nada estridente, agradável até, do seu motor de geladeira servindo de trilha sonora, era como, numa ambulância, ouvir uma balada de George Harrison da boca de uma enfermeira que fosse irmã gêmea da Scarlett Johanson.
Numa das últimas bebedeiras mastroiânnicas, o Paulinho, a Marina, minha namorada e eu planejamos ir a Juiz de Fora de Fusca. Diziam que lá havia uma oficina mecânica especializada em Fuscas, e o do Paulinho estava precisando trocar o assoalho.
Mas a essa altura o Fusca já foi depenado e não existe mais. Talvez Juiz de Fora também não exista mais. Ou é alguém em mim – o que de certo modo é um alívio – que aos poucos vai deixando de existir.
Fabrício Corsaletti. Um Fusca. Adaptado.
Para inverter o sentido da frase “o que de certo modo é um alívio”, qual palavra poderia substituir o termo “alívio”?