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No teatro da vida não há somente um protagonista. O personagem se descobre à medida que aceita estar em cena. O palco se divide em cenários construídos com o destino. Cada ato, uma parte do ser. Ele vai se descobrindo nas cenas que vão surgindo. E os momentos definem os cenários, que se misturam com a harmonia da música. A trilha, esta se faz sintonizando à cena, com o encontro de vários instrumentos; uma orquestra se misturando aos diálogos que vão surgindo. Aí a personagem percebe que não está só no palco. Outras personagens fazem parte da sua peça. Outros protagonistas, antagonistas e secundários.
Final de um ato. Não se fecham as cortinas. É sinal que a peça continua. A personagem busca retocar a maquiagem e percebe que o rosto já não é o mesmo. Novos traços contornam suas expressões. As luzes o convidam a retornar à cena. Num momento chega a pensar, por que esta peça? Escolhi estar aqui? Quem é o autor? O que me espera no próximo ato? Novas cenas surgem e o texto se faz, já não se sabe se é improviso ou faz parte do seu enredo. Risos lhe dão novas perspectivas, lágrimas lhe manifestam uma vontade de terminar o ato.
E finalmente a peça está próxima do fim. Você não quer mais sair. Aprendeu a entender o enredo da vida. Fecham-se as cortinas, escutam-se aplausos, sorrisos e mais sorrisos. E as luzes vão se apagando, não há mais plateia, não há mais aplausos, só escuro, silêncio, só, sem existência, apenas mais uma personagem que se despede do maior espetáculo da terra, a vida.
MENDONÇA, Tulius
“E as luzes vão se apagando, não há mais plateia, não há mais aplausos, só escuro, silêncio, só, sem existência, apenas mais uma personagem que se despede do maior espetáculo da terra, a vida.” Nesse trecho: