Conheço muitas pessoas que estão envelhecendo mal. Desconfortavelmente. Com uma infelicidade crua na alma. Estão ficando velhas, mas não estão ficando sábias. Um rancor cobre-lhes a pele, a escrita e o gesto. São críticos azedos, aliás estão ficando cítricos sem nenhuma doçura nas palavras. Estão amargos. Com fel nos olhos. [...] Envelhecer deveria ser como planar. Como quem não sofre mais (tanto) com os inevitáveis atritos. Assim como a nave que sai do desgaste da atmosfera e vai entrando noutro astral, e vai silente, e vai gastando nenhum-quase combustível, flutuando como uma caravela no mar ou uma cápsula no cosmos. Os elefantes, por exemplo, envelhecem bem. E olha que é uma tarefa enorme. Não se queixam do peso dos anos, e nem da ruga do tempo, e, quando percebem a hora da morte, caminham pausadamente para um certo lugar – o cemitério dos elefantes, e aí morrem, completamente, com a grandeza existencial só aos sábios permitida. Os vinhos envelhecem melhor ainda. Ficam ali nos limites de sua garrafa, na espessura de seu sabor, na adega do prazer. E vão envelhecendo e ganhando vida, envelhecendo e sendo amados, e, porque velhos, desejados. Os vinhos envelhecem densamente. E dão prazer. O problema da velhice também se dá com certos instrumentos. Não me refiro aos que enferrujam pelos cantos, mas a um envelhecimento atuante como o da faca. Nela o corte diário dos dias a vai consumindo. E no entanto, ela continua afiadíssima, encaixando-se nas mãos da cozinheira como nenhuma outra faca nova. Vai ver, a natureza deveria ter feito os homens envelhecerem diferente. Como as facas, digamos, por desgaste, sim, mas nunca desgastante. Seria uma suave solução: a gente devia ir se gastando, se gastando, se gastando até se evaporar. E aí iam perguntar: cadê fulano? E alguém diria: gastou-se, foi vivendo, vivendo e acabou. Acabou, é claro, sem nenhum gemido ou resmungo. [...] Especialistas vão dizer que envelhece mal o indivíduo que não realizou suas pulsões eróticas assenciais; que deixou coagulada ou oculta uma grande parte de seus desejos. Isto é verdade. Parcial porém. Pois não se sabe por que estranhos caminhos de sublimação, há pessoas que, embora roxas de levar tanta pancada da vida, têm, contudo, um arco-íris na alma. Bilac dizia que a gente deveria aprender a envelhecer com as velhas árvores. Walt Whitman tem um poema onde vai dizendo: “Penso que podia viver com os animais que são plácidos e bastam-se a si mesmos". Ainda agora tirei os olhos do papel e olhei a natureza em torno. Nunca vi o sol se queixar no entardecer. Nem a lua chorar quando amanhece.
(Affonso Romano de Sant'anna. Fizemos bem em resistir. Rio de Janeiro: Ed. Rocco, 1984.)
A oração sublinhada em “Estão ficando velhas, mas não estão ficando sábias.” (1º§) estabelece, com o período anterior, uma relação de
No acesso aos sites existentes na Internet, os usuários observam que as homepages mesclam imagens e textos em seus conteúdos. Dentre os atributos dessas imagens, elas possuem em seus nomes de arquivos as seguintes extensões:
Conheço muitas pessoas que estão envelhecendo mal. Desconfortavelmente. Com uma infelicidade crua na alma. Estão ficando velhas, mas não estão ficando sábias. Um rancor cobre-lhes a pele, a escrita e o gesto. São críticos azedos, aliás estão ficando cítricos sem nenhuma doçura nas palavras. Estão amargos. Com fel nos olhos. [...] Envelhecer deveria ser como planar. Como quem não sofre mais (tanto) com os inevitáveis atritos. Assim como a nave que sai do desgaste da atmosfera e vai entrando noutro astral, e vai silente, e vai gastando nenhum-quase combustível, flutuando como uma caravela no mar ou uma cápsula no cosmos. Os elefantes, por exemplo, envelhecem bem. E olha que é uma tarefa enorme. Não se queixam do peso dos anos, e nem da ruga do tempo, e, quando percebem a hora da morte, caminham pausadamente para um certo lugar – o cemitério dos elefantes, e aí morrem, completamente, com a grandeza existencial só aos sábios permitida. Os vinhos envelhecem melhor ainda. Ficam ali nos limites de sua garrafa, na espessura de seu sabor, na adega do prazer. E vão envelhecendo e ganhando vida, envelhecendo e sendo amados, e, porque velhos, desejados. Os vinhos envelhecem densamente. E dão prazer. O problema da velhice também se dá com certos instrumentos. Não me refiro aos que enferrujam pelos cantos, mas a um envelhecimento atuante como o da faca. Nela o corte diário dos dias a vai consumindo. E no entanto, ela continua afiadíssima, encaixando-se nas mãos da cozinheira como nenhuma outra faca nova. Vai ver, a natureza deveria ter feito os homens envelhecerem diferente. Como as facas, digamos, por desgaste, sim, mas nunca desgastante. Seria uma suave solução: a gente devia ir se gastando, se gastando, se gastando até se evaporar. E aí iam perguntar: cadê fulano? E alguém diria: gastou-se, foi vivendo, vivendo e acabou. Acabou, é claro, sem nenhum gemido ou resmungo. [...] Especialistas vão dizer que envelhece mal o indivíduo que não realizou suas pulsões eróticas assenciais; que deixou coagulada ou oculta uma grande parte de seus desejos. Isto é verdade. Parcial porém. Pois não se sabe por que estranhos caminhos de sublimação, há pessoas que, embora roxas de levar tanta pancada da vida, têm, contudo, um arco-íris na alma. Bilac dizia que a gente deveria aprender a envelhecer com as velhas árvores. Walt Whitman tem um poema onde vai dizendo: “Penso que podia viver com os animais que são plácidos e bastam-se a si mesmos". Ainda agora tirei os olhos do papel e olhei a natureza em torno. Nunca vi o sol se queixar no entardecer. Nem a lua chorar quando amanhece.
(Affonso Romano de Sant'anna. Fizemos bem em resistir. Rio de Janeiro: Ed. Rocco, 1984.)
Segundo o texto, o passar do tempo deveria trazer às pessoas
Ana Waiss (ana.weiss@istoe.com.br)
Guilherme Fontes era um novato quando nos anos 1990 passou na frente de Luís Carlos Barreto, cineasta já reconhecido, e fechou com o escritor Fernando Moraes a filmagem de sua biografia sobre Assis Chateaubriand. Começava ali um dos maiores imbróglios do cinema nacional, que ganha mais um capítulo, surpreendendo público e crítica. “Chatô – O Rei do Brasil”, que acaba de estrear nos cinemas do País, é, apesar da inexperiência do diretor na época, um bom filme, construído por uma história espetacular emoldurada por uma atualíssima crítica à estrutura do poder no Brasil.
A vida de Assis Chateaubriand é metade do
show. O longa-metragem mostra a desenvoltura com que o paraibano que fundou os “Diários Associados” atravessava a fronteira da malandragem oportunista para o comportamento corrupto a fim de construir seu império. As falcatruas e o total desprezo por qualquer norte ético nos negócios da comunicação, diz Guilherme Fontes, incomodou imprensa atual. Para ele, as críticas motivaram o noticiário – desde aqueles idos, até os dias de hoje – a lembrarem do seu nome como um descumpridor da lei, que fez mau uso de verba pública.
Na realidade, não foi a corrupção denunciada
pela história do magnata da imprensa que colocou Fontes na berlinda. Quase duas décadas depois de obter a assinatura do ministro da Cultura Francisco Weffort (1995-2002) em um contrato inédito que lhe permitia captar R$ 12 milhões – da época – por meio de renúncia fiscal para filmar “Chatô”, ainda não conseguia apresentar uma data para chegar às telas. Nesse meio tempo, o diretor cometeu excentricidades com o orçamento, quase todo de origem pública, como convidar a equipe de Francis Ford Copolla para trabalhar no longa ou alugar um castelo francês para as locações famosas pelo exagero nos figurinos.
Da turma de Copolla, restou só o excelente
roteiro de Matthew Robbins. Sobre o texto, o ator Marcos Ricca desenvolve uma das suas mais admiráveis atuações, a do empresário que colocou o Brasil na modernidade da comunicação, sem medir esforços e deslizes.
Adaptação de:
http://www.istoe.com.br/reportagens/441108_CHATO +E+O+BRASIL+DE+SEMPRE?pathImagens=&path= &actualArea=internalPage, acesso em 28 de
novembro de 2015.
As palavras sublinhadas, no período abaixo,
classificam-se, morfologicamente, como:
Sobre o texto, o ator Marcos Ricca desenvolve
uma das suas mais admiráveis atuações, a do empresário que colocou o Brasil na modernidade da comunicação, sem medir esforços e deslizes.
CONSIDERE AS OBRAS CORRESPONDÊNCIA – TÉCNICAS DE COMUNICAÇÃO CRIATIVA (MEDEIROS) E MANUAL DA SECRETÁRIA (MEDEIROS E HERNANDES) E RESPONDA ÀS QUESTÕES DE Nº 21 A 30.
Alvará é uma ordem escrita de uma autoridade, com a finalidade de que se pratique determinado ato. Quando um alvará é assinado por uma autoridade administrativa, tem o efeito equivalente a:
Em relação às diretrizes e recomendações de doenças crônicas, de acordo com o Pacto pela Saúde, analise:
I. Consideradas como epidemia na atualidade, as doenças crônicas não transmissíveis constituem sério problema de saúde pública, tanto nos países ricos quanto nos de média e baixa renda. II. A Organização Mundial da Saúde (OMS) define como doenças crônicas as cardiovasculares, as neoplasias, as respiratórias crônicas e diabetes mellitus. III. A OMS inclui no rol de doenças crônicas aquelas que contribuem para o sofrimento dos indivíduos, das famílias e da sociedade, tais como: desordens mentais e neurológicas; doenças bucais, ósseas e articulares; desordens genéticas; e, patologias oculares e auditivas.
Na quarta-feira, 18 (setembro de 2013), quando o ministro Celso de Mello anunciou o voto de desempate no debate sobre embargos infringentes para 12 réus da ação penal 470, consumou-se uma mudança profunda no universo do Supremo Tribunal Federal.
(
Revista IstoÉ. Edição 2288 – 25/09/2013. p. 39.)
Os embargos infringentes tratados no texto podem ser definidos como
A contribuição do Bolsa Família para a segurança e a qualidade de vida das populações mais pobres foi o tema da segunda rodada de debates realizada nesta quarta-feira (30), no Museu da República, em Brasília, durante as comemorações dos 10 anos do maior programa de transferência de renda do mundo. O encontro discutiu o impacto causado pelos programas sociais do governo federal na última década – como a mudança nas expectativas dos brasileiros, que já vislumbram um futuro melhor para si e suas famílias – e a inclusão social inédita de uma parcela da população colocada historicamente à margem das decisões do Poder Público.
(Especial Bolsa Família do site do Ministério de Desenvolvimento Social. Disponível em: http://bolsafamilia10anos.mds.gov.br/. Acesso em: 31/10/2013.)
No mesmo ano da implantação do Programa Bolsa Família, o governo federal colocou em prática o Programa Brasil Alfabetizado. Sobre o Brasil Alfabetizado, analise.
I. É desenvolvido em todo o território nacional, com o atendimento prioritário a municípios que apresentam alta taxa de analfabetismo, sendo que 90% destes localizam-se na região Nordeste.
II. Ocorre por meio de ações desenvolvidas pelo Ministério da Educação apenas em escolas técnicas federais, onde os cursos são ministrados a jovens e adultos que não se alfabetizaram.
III. Tem por objetivo promover a superação do analfabetismo entre jovens com 15 anos ou mais, adultos e idosos, além de contribuir para a universalização do ensino fundamental no Brasil.