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O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Carlos Chagas: há 90 anos morria o único cientista a descrever completamente uma doença
Carlos Ribeiro Justiniano das Chagas foi a primeira e até hoje única pessoa a descrever completamente uma doença infecciosa.
Ele, com suas pesquisas, detalhou o patógeno, o vetor, os hospedeiros, as manifestações clínicas e a epidemiologia da tripanossomíase americana, conhecida como doença de Chagas — em sua homenagem.
Nesse processo de pesquisa, ele descobriu o protozoário causador da patologia e o batizou de Trypanosoma cruzi — em alusão laudatória ao seu amigo, o também médico Oswaldo Cruz.
"Ao longo de sua vida, tornou-se membro de prestigiadas instituições médicas e científicas de vários países, especialmente no campo da medicina tropical, e foi agraciado com importantes prêmios e honrarias."
Mas o não recebimento do Nobel, para o qual foi indicado em 1913 e 1921, ainda é visto por muitos como uma injustiça histórica. "Acho que foi uma fratura, uma mágoa para a ciência do Brasil. Porque ele tinha chance de conseguir, mas uma série de conflitos internos, invejas e algumas coisas nesse sentido fez com que seu nome não fosse o escolhido", comenta à BBC News Brasil a historiadora Rita de Cássia Marques, professora titular na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
"Ele tinha chances de ganhar porque é muito difícil fazer o que ele fez: a identificação de uma doença em todo o seu ciclo, desde o animal até o seu desenvolvimento. Isso é muito raro e uma coisa muito importante", completa Marques.
"A descoberta dele foi única e mereceria um prêmio Nobel, obviamente", diz à BBC News Brasil a historiadora Ana Nemi, professora na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Ela atribui ao contexto hierárquico consolidado entre o norte global e o sul global o fato de ele jamais ter sido laureado com o prêmio.
"Na época eram outros termos, eram países modernos versus países atrasados. O fato é que existe essa hierarquia de produção de saberes e conhecimentos e é muito difícil quebrar esta barreira sendo pesquisadores do sul global", analisa.
https://www.bbc.com/portuguese/articles/c5yp9re49m8o.adaptado.
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Divórcios reduzem a desigualdade em relação às crianças na Suécia
Mães solteiras são um dos grupos mais vulneráveis nas sociedades ao redor do mundo. Na Suécia, no entanto, o número de mulheres arcando sozinhas com as responsabilidades de cuidado diminuiu quase pela metade ao longo das últimas duas décadas.
O que causou essa mudança? Seria uma exceção à tendência global de aumento de separações e divórcios?
Não, o número de dissoluções de uniões na Suécia ainda está entre os mais altos do mundo. O que se observa é uma mudança nas separações.
A Suécia não apenas lidera em termos de taxas de divórcio, mas também é líder mundial quando se trata de dividir a guarda das crianças igualmente. Quase metade das crianças com pais separados agora dividem seu tempo idêntico entre os dois lares.
Em novo estudo, publicado na revista Social Forces, os pesquisadores queriam descobrir em qual medida essa mudança notável nos arranjos de vida alterou a divisão de trabalho de cuidado entre os ex-cônjuges.
Eles partiram da hipótese de que o efeito de tais dissoluções de união leva a uma maior igualdade de gênero do que quando as crianças viviam apenas com suas mães.
Ultimamente, a guarda meio a meio requer que os pais assumam integralmente a responsabilidade pelo cuidado da criança metade do tempo — algo que poucos pais em parceria fazem. Portanto, isso impulsiona os pais a uma divisão mais igualitária do trabalho de cuidado com as crianças.
Como medida de trabalho de cuidado, examinou-se uma das desigualdades mais persistentes entre mulheres e homens nos países de alta renda hoje: tirar licença do trabalho remunerado para cuidar de uma criança.
Dados de registros administrativos foram usados para cobrir toda a população da Suécia — com medidas de licença tanto da mãe quanto do pai de cada criança antes e após o divórcio.
Os resultados mostram que, na Suécia, o divórcio levou a um aumento na participação dos pais nos dias de folga do trabalho para cuidado.
Concluiu-se que, enquanto os divórcios nas últimas décadas haviam atrasado a revolução de gênero na Suécia — com as mães tradicionalmente assumindo toda a responsabilidade — agora, têm efeito contrário.
https://www.bbc.com/portuguese/articles/c4nglpl2gjwo.adaptado.