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A rua, a fila, o acaso
Eu ia dando a minha voltinha num silêncio interior de paz. Está difícil flanar nas ruas de hoje. Muito barulho, carros voando ou atravancando a calçada, anda sobrecarregado o ar que respiramos. Mas há sempre o que ver, se levamos olhos desprevenidos, de simpatia. Me lembrei do tempo em que o pai de família saía depois do jantar pra fazer o quilo. A expressão tem a ver com o mistério da nossa usina interior.
Com o perdão da palavra, tem a ver com as nossas tripas. Hoje é o cooper, que traz um afã de competição. Cronometrado e exibido, tira o fôlego e impede a conversinha mole. É mais uma fábrica de ansiedade nesta época que fabrica estresse. Pois eu ia andando pra clarear as ideias, ou pra pensar em nada. Nessa hora de entrega e de inocência é que acontece a iluminação. A luzinha do entendimento acende onde quer.
Sem nenhum objetivo, ia eu bem satisfeitinho na minha disponibilidade. Aberto a qualquer convite, podia comprar um bombom, ou uma flor. Ou uma dessas canetinhas que acertam comigo e, bem ordinária, me traz um estremecimento de colegial. A gente sabe que o endereço da felicidade é no passado e é mentira. Mas é bom que exista, a felicidade. Nem que seja um momentinho só. Tão rico que dá pra ir vivendo. E se renova com qualquer surpresa boba. Encontrar por exemplo na banca uma revista fútil e dar com a foto daquela moça bonita. Olhar seus olhos e entendê-los, olhos adentro.
A vida é um mundo de possibilidades. Atração e repulsa, afinidades. Convergência e divergência. Nessa altura, as minhas pernas tinham me levado pro mundo da lua. Quando dei comigo de volta, estava espiando uma fila que coleava pela calçada. Curioso: etimologicamente, aposentado é quem se recolhe aos aposentos. De repente, os aposentados saíram da toca e estão na rua, pacientes em fila ou irados aos magotes.
Mas aquela fila não podia ser de aposentados. Tinha uma moça de short e pernas fortes de atleta. E muitos jovens. E vários boys. Um pequeno interesse, receber um dinheirinho, ou uma pequena obrigação, pagar uma conta, juntou na fila aquele pessoal todo. Misterioso caminho, esse, que aproxima as pessoas por um instante e depois as separa. Há de ver que ali estavam lado a lado duas almas que se procuram e, distraídas, disso não se deram conta. O acaso, o destino, quanta coisa passa por uma cabeça vadia! Ou por um frívolo coração.
(Otto Lara Resende. Folha de São Paulo. Publicada no livro Bom dia para nascer, Companhia da Letras, 2011.)
Leia o texto a seguir atentamente:
Os pais de E. tinham recebido o diagnóstico de cegueira e autismo com deficiência mental em virtude de encefalopatia congênita e anoftalmia (ausência do globo ocular) por malformação embrionária. E. era um garoto de seis anos de idade que gostava muito de música, repetia com entonação e ritmo alguns refrãos desconexos. Não tolerava o contato físico e verbal das pessoas, enrolava-se como um tatu na rede ou colchão, pois gostava apenas de ficar deitado. Se crianças ou pessoas aproximavam-se dele, ficava muito ansioso, irritado e nervoso; fugia de qualquer contato e escondia-se, enrolando-se no colchão. A mãe relatava que E. não gostava de colo e afagos, esquivava-se do contato materno. Ele era indiferente ao ser chamado pelo nome, à voz da mãe, pai, irmã e avós. Não manifestava ou reagia a qualquer forma de expressão afetiva. A família preocupava-se muito com as questões de alimentação, porque E. era muito seletivo: não aceitava modificação alimentar, só comia arroz com farinha, um tipo de biscoito salgado e bebia Coca-Cola. Irritava-se e entrava em crise diante de qualquer modificação no ritual de alimentação. O que proporcionava prazer a E. era o balanço na rede e a piscina. Esses elementos foram utilizados para iniciar o processo de interação e comunicação com E. O caminho escolhido pela família foi uma escola especial que atendia crianças autistas, isso porque a escola de cegos não recebia crianças com deficiência múltipla. O processo de adaptação de E. foi lento. Irritava-se muito com barulho, com vozes e movimento das outras crianças, mesmo sendo poucas. Desorganizava-se com frequência, beliscava, batia, jogava longe tudo que estivesse ao seu alcance. Quando o nível de tensão aumentava, engolia sua prótese sabendo que chamava atenção com isso. Afastava as pessoas, ria e esperava a reação. De forma semelhante, fazia xixi e cocô nas calças, mesmo sem vontade na tentativa de isolar-se no banheiro, que era um dos seus lugares preferidos, talvez pelo pouco barulho. No início, qualquer pessoa que se aproximasse dele apanhava muito: levava socos, mordida, beliscões. Utilizava-se um aparato protetor para se lidar com E. – luvas. Procurava-se antecipar a aproximação das pessoas e a ocorrência dos eventos com mensagens curtas e objetivas, descrevendo-se e interpretando-se as ações. Decodificar a linguagem e interpretar o contexto era uma grande dificuldade para E..
(Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/deficienciamultipla.pdf. Acesso em: julho de 2024. Adaptado.)
Tendo os dados textuais como suporte, é pertinente implementar ações no sentido de:
Read the text to aswer the question.
The enduring joy of Golden Girls: a wildly sassy sitcom that will always cheer you up
A comedic masterclass with the best sitcom theme song of all time, Golden Girls pulled back the curtains on ageing and dealt with big-ticket issues.
A zinger-infused maelstrom of shoulder pads, pastels and perms. Rattan furniture, DayGlo linen and Formica. There’s such a distinctive look, feel and vibe to The Golden Girls, the iconic sitcom that ran from 1985 to 1992, scooping up 68 Emmy nominations and 11 wins in the process. The brainchild of producer Susan Harris, the show spawned several acclaimed spinoffs and became an enduring work of high camp in the process.
The premise? Three older women decide to live together: the stern, witty ex-teacher Dorothy Zbornak (Bea Arthur), the sweet but fantastically dense Rose Nylund (Betty White) and southern hornbag Blanche Devereaux (Rue McClanahan). At first it’s a matter of convenience, but before long, they become fast friends. During the pilot they’re joined by a fourth: Dorothy’s mother Sophia Petrillo (Estelle Getty), a nitpicky little shrew whose ability to cockblock our heroines saw her gradually become the Scrappy-Doo of the house. (Don’t @ me, Goldies, you know I’m right.)
For a comedy that primarily took place within a Floridian kitchen, The Golden Girls boasted some serious talent. The four leads were all astoundingly adept at their craft.
The golden girls themselves proved that the family you make is sometimes stronger than the one you’re born with. Dorothy, Rose and Blanche feel, at times, aged out of their previous lives. Careers, spouses, the world: all seem to be pushing them away. But the girls are proof that you can – and should – forge new bonds, even if it seems like your old life is done for. That you can make a new family, even if your old one rejects you.
The Golden Girls pulled back the curtains on ageing, showing the ways in which old people can be flawed, passionate, monumentally stupid, brave – even at times, almost heroically horny. And it did so with an almost reckless willingness to be as wildly funny as it possibly could.
The show ended up doing what many sitcoms do: use antagonism as heat to push the plot forward. It takes truly hack writers to defend needless antagonism as the only source of fuel to propel a story (I’m looking at you, post-Sorkin West Wing). The last two seasons of The Golden Girls aren’t terrible, but Sophia morphs from an old lady without boundaries to an ancient sociopathic prankster. But even with this odd acceleration towards a caricatured sitcom event horizon, the show still manages to roll out the hits. The two-part finale, written by Mitch Hurwitz (the creator of Arrested Development) and starring Leslie Nielsen as Dorothy’s love interest, ranks as some of the best in the show’s history.
It also has – and I cannot stress this enough – the best sitcom theme song in the history of sitcom theme songs. In 2023, there are few things that will haul you out of whatever psychic muck you find yourself in than whacking on an episode of The Golden Girls. I promise you, once the credits roll, you’ll find yourself lying on the lanai in your mind, feeling somehow much lighter than you did before.
(The Guardian 2024, The Guardian website. Accessed: 06 February 2024. Available: <https://www.theguardian.com/tv-and-radio/2023/aug/02/goldengirls-tv-sitcom-enduring-joy-dorothy-rose-betty-white-blanche>. Adapted.)
[...] Houve um tempo em que o ensino da história nas escolas não era mais do que uma forma de educação cívica. Seu principal objetivo era confirmar a nação no estado em que se encontrava no momento, legitimar sua ordem social e política – e ao mesmo tempo seus dirigentes – e inculcar nos membros da nação – vistos, então, mais como súditos do que como cidadãos participantes – o orgulho de a ela pertencerem, respeito por ela e dedicação para servi-la.
(LAVILLE, 1999, p. 26.)
Ao considerar que o ensino de história, atualmente, não está mais especificamente a serviço da manutenção do status quo das elites e da afirmação do Estado, é preciso partir do pressuposto de que a disciplina sofreu mudanças ao longo do tempo. Essas mudanças: