Essa mania que tem o homem de distribuir pela escala zoológica medidas de valor e índices de comportamento que, na escala humana, sim, é que podem ser aferidos com justeza!
Por que chamamos de zebra a uma pessoa estúpida, que não tem as qualidades da zebra? Esta sabe muito bem defender-se dos perigos pela vista, pelo olfato e pela velocidade, sem esquecer a graça mimética de suas listas, úteis para a dissimulação entre folhas. Se ela não é dócil às ordens do treinador, se não aprende o que este quer ensinar-lhe, tem suas razões. É um ensino que não lhe convém e que a humilha em sua espontaneidade. Repele a escravidão, que torna lamentáveis os mais belos e inteligentes animais de circo, tão supe- riores a seus donos.
Gosto muito de La Fontaine*, não nego; a graça de seus versos vende as fábulas, que são entretanto uma injúria revoltante à natureza dos animais, acusados de todos os defeitos humanos. O moralista procura corrigir falhas características de nossa espécie, atribuindo-as a bichos que, não sabendo ler, escrever ou falar as línguas literárias, não têm como defender-se, repelindo falsas imputações. O peru, o burro, a toupeira, a cobra, o ouriço e toda a multidão de seres supostamente irracionais, mas acusados de todos os vícios da razão humana, teriam muito que retrucar, se lhes fosse concedida a palavra num sistema verdadeiramente representativo, ainda por ser inventado.
Sem aprofundar a matéria, inclino-me a crer que o nosso conhecimento dos animais é bem menos preciso do que o conhecimento que eles têm de nós. Não é à toa que nos temem e procuram sempre manter distância ou mesmo botar sebo nas canelas (ou asas ou barbatanas ou ...) quando o bicho-homem se aproxima. Muitas vezes nosso desejo de comunicação e até de repartir carinho lhes cheira muito mal. A memória milenar adverte-lhes que com gente não se brinca. Homens e mulheres que sentem piedade pelos animais, e até amor, constituem uma santa minoria, e eles salvarão a Terra. Mas será que os outros, a volumosa maioria, os caçadores, os torturadores, os mercadores de vidas, vão deixar?
* La Fontaine - fabulista francês do século XVII.
(Carlos Drummond de Andrade. Moça deitada na grama. Rio de Janeiro: Record, 1987, pp. 139-141, crônica transcrita com adaptações)
“O homem primeiramente existe, se descobre, surge no mundo; e só depois se define. O homem, tal
como o concebe o existencialista, se não é definível, é porque primeiramente não é nada. Só depois
será alguma coisa e tal como a si próprio se fizer. O homem é como ele se concebe depois da existência, como ele se deseja após este impulso para a existência; o homem não é mais que o que ele
faz.” (SARTRE, Jean-Paul. O existencialismo é um humanismo. Lisboa: Presença, 1970, p.216. Adaptado).
No texto acima, Sartre se refere ao primeiro princípio do existencialismo: a existência precede a essência.
Segundo esse princípio, somente os seres humanos possuem liberdade, porque são os únicos seres
que agem de acordo com um projeto
O modelo atômico proposto por John Dalton (1766 - 1844) em 1803 estabelecia o átomo como sendo uma
esfera maciça e indestrutível, sem nenhum tipo de
carga elétrica. Assinale a alternativa que apresenta um
fenômeno físico-químico que não pode ser explicado
por esse modelo.
Para publicar em periódicos da metrópole, deve-se escrever
seguindo os géneros da metrópole, citar a literatura da metrópole
e tornar-se parte do discurso lá produzido. Para um cientista
social, isso significa tanto descrever sua própria sociedade como
se fosse a metrópole, suprimindo sua especificidade histórica, ou
descrevê-la em termos comparativos, situando sua especificidade
nos parâmetros da metrópole. Esse “metrocentrismo” da
imaginação sociológica é mais evidente nas teorias da
"globalização". De todos os tópicos sociológicos, é nesse que as
relações entre metrópole e periferia são mais nítidas. Ainda
assim, a abundante literatura sociológica feita no Norte
frequentemente projeta características da modernidade ou pósmodernidade da metrópole para outros espaços. Uma estratégia
de resistência à essa situação, é a busca por sistemas indígenas
de conhecimento, entendidos como contextos para produção de
um conhecimento que esteve originalmente fora do sistema eurocentrado e que talvez ainda possa estabelecer uma base para
autonomia.
CONNELL, Raewyn. A iminente revolução na teoria social. Revista Brasileira de
Ciências Sociais, São Paulo, v.27, n. 80, 2012. (Adaptado)
As afirmativas a seguir apresentam interpretações coerentes do
texto, à exceção de uma. Assinale-a.
Joana tomou conhecimento de que a República Federativa do
Brasil estava prestes a assinar determinado tratado internacional
de proteção dos direitos humanos, o qual lhe reconhecia certo
direito em uma perspectiva mais benéfica que aquela prevista na
Constituição da República de 1988, sendo nítida a colisão com
uma norma constitucional.
Ao se inteirar da forma como o referido tratado internacional
seria incorporado na ordem interna, principalmente em razão da
colisão que constatara, Joana concluiu corretamente que ele
EAL classrooms are spaces to build communicative
competence in the English language. That language has a unique
role for many people around the world. For those without
financial resources who do not live in English dominant countries,
the digital sphere is perhaps the only space in which authentic
use of the language is likely to take place. For learners situated in
inner circle countries, effective use of the language can make the
difference between social, economic and political exclusion, or
inclusion. This is also true for a lesser extent in outer circle
countries. For those in expanding circle countries, English is
becoming a language of the global elite in political, economic,
and academic life. In all of these circles, it is often used as a lingua
franca. Sociocultural theory states that true competence in
encoding and decoding language can only exist when there is an
understanding of the cultural realities attached to the
communication when it is used. Digital media provide the vector
of communication for a tremendous number of communicative
acts in all of the circles, but communication in the digital medium
carries special attributes that are not necessarily obvious or
transparent. Therefore, it seems imperative to arm language
users with an understanding of communication issues the digital
realm as well as an understanding of the implication of
communication in this space. Furthermore, there is an ethical
responsibility to empower language users from a variety of
background with equal agency and therefore equal voice. Doing
so requires more than just technical skills, but also skills of
critique and critical language awareness, productive ability, and
an understanding of agency and rights claims that stretch from
the linguistic to the economic and political. By reimagining Critical
Language Awareness as a component of a multiliteracy approach
that encompasses the full spectrum of analogue to digital
communication in English, teachers, students, and policy makers
can work toward making language studies as relevant, authentic,
and empowering as possible.
Adapted from: (PDF) English as an Additional Language: Enhancing Critical Digital
Literacy (researchgate.net)
In “to arm language users”, the word “arm” is a(n)