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Não posso dizer positivamente em que ano nasceu a crônica; mas há toda a probabilidade de crer que foi coletânea das primeiras duas vizinhas. Essas vizinhas, entre o jantar e a merenda, sentaram-se à porta, para debicar os sucessos do dia.
Provavelmente começaram a lastimar-se do calor. Um dia que não pudera comer ao jantar, outra que tinha a camisa mais ensopando que as ervas que comera. Passar das ervas às plantações do morador fronteiro, e logo às tropelias amatórias do dito morador, e ao resto, era a coisa mais fácil, natural e possível do mundo. Eis a origem da crônica
Se, na Europa, este movimento é um protesto cultural, se o “mal do século”, a saudade do paraíso perdido são as consequências da industrialização e da ascensão da burguesia; no Brasil, onde a sociedade do Império compreende apenas grandes proprietários escravocratas e uma burguesia nascente, o movimento, produto de importação, corresponde a uma afirmação nacionalista.
(Paul Teyssier. Dicionário de literatura brasileira, 2003. Adaptado.)
O movimento a que o texto se refere é o
O regionalismo: a situação do homem do campo é apresentada sem a idealização característica do Arcadismo e do Romantismo. A denúncia social: as obras denunciam a realidade brasileira, destacando aspectos como a desigualdade social, a exploração, entre outros. As personagens: entram em cena o sertanejo, o caipira, os funcionários públicos, os moradores do subúrbio e da periferia. Os cenários: em foco o interior paulista, lugar das narrativas de Monteiro Lobato, o subúrbio carioca, onde circulam as personagens de Lima Barreto, o sertão nordestino, de Os Sertões, de Euclides da Cunha. Os temas: os fatos políticos, a economia, a cultura do povo, os movimentos populares. A obra Triste Fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto, por exemplo, tematiza o governo de Floriano Peixoto. A obra Os Sertões, de Euclides da Cunha, relata a Guerra de Canudos.
Esses são alguns comentários referentes ao:
Sobre o contexto sócio-histórico do Realismo e do Naturalismo na segunda metade do século XIX, é correto afirmar que
I. a Revolução Francesa está diretamente associada ao nascimento da estética realista. Ela desencadeou mudanças tão profundas no modo de produção que se tornou responsável pela reordenação da economia mundial no século XIX.
II. a industrialização acarretou um efeito social de acentuada distinção entre a burguesia e a classe trabalhadora (proletariado). Acentua-se uma burguesia hipócrita e fútil, que explora o proletariado enquanto professa o amor à justiça e à igualdade, comportamento denunciado em boa parte dos romances escritos nesse período.
III. o interesse pelo funcionamento e pela organização da sociedade leva os escritores realistas a abordarem as necessidades materiais humanas (alimentação, moradia, etc.) e discutir as condições econômicas (aspectos referentes ao mundo do trabalho) necessárias para satisfazer tais necessidades.
IV. mudanças profundas ocorreram no Brasil na segunda metade do século XIX, afetando a economia, a política, a arte, como, por exemplo, a extinção do tráfico de escravos, o imigrante assalariado como nova mão de obra; livre comércio com o exterior; ampliação da burguesia mercantil; o avanço científico e o progresso tecnológico; crise entre a Igreja e o Governo; cisão entre o exército e o imperador; além da influência do positivismo, sobretudo no meio militar, na burguesia e entre alguns grupos de intelectuais.
É correto o que se afirma apenas em
Artistas reinventaram a arte com novas noções de dimensão espacial, emprego das cores e valorização dos planos e contrastes, como luz e sombra, ornamentação detalhada e equilíbrio geométrico. Na escrita, autores detalhavam desejos, medos, qualidades e defeitos do ser humano e de sua moral. Descreviam a utopia de um homem novo e do mundo perfeito, num tempo em que sonhar era arriscado.
(Angelo Adriano Faria Assis. A razão brilha para todos. Revista de História da Biblioteca Nacional, 2013. Adaptado)
O trecho faz referência
Textos para a questão
Texto I
A beleza de Virgília tinha agora um tom grandioso, que
não possuíra antes de casar. Era dessas figuras talhadas em
pentélico, de um lavor nobre, rasgado e puro, tranquilamente bela,
como as estátuas, mas não apática nem fria. Ao contrário, tinha o
aspecto das naturezas cálidas, e podia-se dizer que, na realidade,
resumia todo o amor. Resumia-o sobretudo naquela ocasião, em que
exprimia mudamente tudo quanto pode dizer a pupila humana. Mas
o tempo urgia; deslacei-lhe as mãos, peguei-lhe nos pulsos, e, fito
nela, perguntei-lhe se tinha coragem.