“Tomemos um exemplo. Alguém diz que em alguma parte do oceano há uma ilha que, por
causa da finalidade, ou melhor, da impossibilidade de encontrar aquilo que não existe, alguns
chamam ‘Perdida’. Eles fabulam que, muito mais do que se diz das ilhas afortunadas, esta ilha
é opulenta pela sua inestimável abundância de todo tipo de riqueza e de toda delícia; e eu, sem
possuidor ou habitante qualquer, seja superior pela superabundância de bens a todas as outras
terras habitadas em todo lugar pelos homens. Que alguém me diga tudo isso, e eu
compreenderei facilmente este dizer, no qual não há nenhuma dificuldade”
Fonte: Anselmo. Proslogion. In: Reali, G. & Antiseri, D. História da Filosofia – Patrística e Escolástica. Volume 2.
São Paulo: Paulus, 2023.
A Ilha Perdida é uma metáfora que antepôs o Liber pro Insipiente de Gaunilon (e retomado por
Tomás) e o Liber Apologeticus de Anselmo (e retomado por Descartes). Sobre a prova a priori
da existência de Deus, como defendida por Anselmo no argumento ontológico, é CORRETO
afirmar:
“Portanto, diga que esta proposição ‘Deus existe’ em si mesma é por si evidente, porque o
predicado se identifica com o sujeito; Deus, com efeito, como veremos a seguir, é seu próprio
ser: porém, como ignoramos a essência de Deus, para nós não é evidente, mas necessita ser
demonstrada por meio das coisas que nos são mais conhecidas, apesar de que por si sejam
menos evidentes, isto é, por meio de efeitos”.
Fonte: São Tomás. A Suma Teológica, volume I. In: Reali, G. & Antiseri, D. História da Filosofia – Patrística e
Escolástica. Volume 2. São Paulo: Paulus, 2023.
Tomás de Aquino apresenta cinco vias a posteriori para demonstrar a existência de Deus. O
tomismo, por “repousar” no aristotelismo, parte dos entes do mundo para remontar o Princípio
que é Deus. Sobre as Cinco Vias de Tomás de Aquino, assinale a alternativa CORRETA:
O tema felicidade aparece na história da Filosofia em
muitos momentos, sendo objeto de reflexão em sistemas
filosóficos, os quais lhe atribuem concepções diferentes.
Com relação à afirmação acima, assinale o que for
correto.
Santo Agostinho acreditava que a verdadeira
felicidade consiste em se distanciar dos prazeres
mundanos para poder encontrar a beatitude na união
com Deus.
“[...] nelas li não com estas mesmas palavras,
mas provado com muitos e numerosos
argumentos, que no princípio era o Verbum e o
Verbum estava em Deus e Deus era o Verbum:
no princípio este existia em Deus; todas as
coisas foram feitas por Ele, e sem Ele nada
seria criado; o que foi feito, nele é a vida, e a
vida era a luz dos homens; a luz brilha nas
trevas, e as trevas não a compreenderam; a
alma do homem, ainda que testemunhe a Luz,
não é, porém, a própria Luz, mas o Verbum
próprio de Deus, que é a luz verdadeira que
ilumina todo homem que vem a este mundo.”
(AGOSTINHO. Confissões. XII – IX.13).
É conhecida a influência da filosofia pagã e da
religião gnóstica nas obras da juventude de
Agostinho. Das alternativas abaixo, assinale
aquela que representa mais propriamente o
alvo da crítica do Bispo de Hipona no trecho
citado das Confissões.
Considerando a relação entre as críticas realizadas pelo teórico Walter Benjamin, da Escola de Teoria Crítica, mais conhecida como Escola de Frankfurt, e a produção artística em tempos de avanço tecnológico, julgue o item a seguir.
Para Benjamin, toda obra de arte está rodeada por uma aura e
a reprodução técnica, própria da sociedade industrial, sendo
o aumento da produtividade a força motriz que sustenta o
alcance dotado de sentido da obra de arte.
“Depois desta era Deus repousará como no sétimo dia, fazendo nele repousar aquele mesmo
sétimo dia que seremos nós. Seria demasiado longo neste ponto examinar atentamente cada
uma dessas eras; todavia, esta sétima será o nosso sábado, cujo fim não será o declínio, e sim
o dia do Senhor, como que um oitavo dia da vida eterna, o qual foi consagrado na ressurreição
de Cristo, prefigurando o repouso eterno do espírito e do corpo. Aí repousaremos e veremos,
veremos e amaremos, amaremos e louvaremos. Isso será no fim, e não haverá fim! Que outra
coisa é nosso fim, senão chegar ao reino que não tem fim?”
Fonte: Agostinho. A Cidade de Deus. In: Reali, G. & Antiseri, D. História da Filosofia – Patrística e Escolástica.
Volume 2. São Paulo: Paulus, 2023.
Agostinho representa, indubitavelmente, o apogeu da Patrística. Suas obras e ideias apontam
como os ideários apologistas do cristianismo conservaram as primeiras tradições
hermenêuticas dos textos considerados sagrados, os entendimentos dogmáticos e a influência
e adaptação da filosofia greco-platônica. Assinale a alternativa CORRETA sobre a Filosofia de
Agostinho:
“(...) Em primeiro lugar, como ninguém pode amar uma coisa de todo ignorada, deve-
-se examinar com diligência de que natureza é o amor dos estudantes, entendendo-se
por estudantes os que ainda não sabem, mas desejam saber. Naqueles casos em que a
palavra estudo não é usual, podem existir amores de ouvido: como quando o ânimo se
acende em desejo de ver e de gozar devido à fama de alguma beleza, porque possui
uma noção genérica das belezas corpóreas pelo fato de ter visto muitas delas, e existe
no interior dele algo que aprova o que no exterior é cobiçado. Quando isto acontece, o
amor não é paixão de uma coisa ignorada, pois já conhece seu gênero. Quando amamos
um varão bondoso, cujo rosto nunca vimos, amamo-lo pela notícia das virtudes que
conhecemos na própria verdade”
SANTO AGOSTINHO, De Trinitade, livro 10.
A partir do texto de Santo Agostinho, assinale a alternativa CORRETA.
Nietzsche é considerado o filósofo que afirma a vida.
Mais ainda, ele é o filósofo que relaciona vida e estética.
Em O Nascimento da Tragédia, a afirmação está expressa
da seguinte maneira: “Só como fenômeno estético a existência
e o mundo aparecem eternamente justificados”.
Tendo o aforismo precedente como referência inicial, julgue o item a seguir, sobre as dimensões apolínea e dionisíaca e sobre os aspectos gerais da filosofia de Nietzsche relacionados à arte.
Para Nietzsche, a embriaguez é condição necessária
e suficiente para a produção artística, por isso a ausência
de um estado de embriaguez impede o artista de criar.
"Religião sempre foi um negócio lucrativo." Assim começa uma reportagem da revista americana Forbes sobre os milionários bispos fundadores das maiores igrejas evangélicas do Brasil. A revista fez um ranking com os líderes mais ricos. No topo da lista, está o bispo Edir Macedo, que tem uma fortuna estimada em R$ 2 bilhões, segundo a revista. Em seguida, vem Valdemiro Santiago, com R$ 400 milhões; Silas Malafaia, com R$ 300 milhões; R. R. Soares, com R$ 250 milhões, e Estevan Hernandes Filho e a bispa Sônia, com R$ 120 milhões juntos. A Forbes também destaca o crescimento dos evangélicos no Brasil – de 15,4% para 22,2% da população na última década –, em detrimento dos católicos. Hoje, os católicos romanos somam 64,6% da população, ou 123 milhões de brasileiros. Os evangélicos, por sua vez, já somam 42 milhões, em uma população total de 191 milhões de pessoas.
Os fatos descritos na reportagem são compatíveis filosoficamente com uma concepção