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1

457941200997649
Ano: 2021Banca: IF Sul Rio-GrandenseOrganização: IF Sul Rio-GrandenseDisciplina: Literatura Brasileira e UniversalTemas: Tendências Contemporâneas | Movimentos Literários | Gêneros Literários | Classificação dos Gêneros Literários | Gênero Lírico | Gênero Narrativo
Texto associado

Texto 1


 Ali começa o sertão chamado bruto.


Pousos sucedem a pousos, e nenhum teto habitado ou em ruínas, nenhuma palhoça ou tapera dá abrigo ao caminhante contra a frialdade das noites, contra o temporal que ameaça, ou a chuva que está caindo. Por toda a parte, a calma da campina não arroteada; por toda a parte, a vegetação virgem, como quando aí surgiu pela vez primeira. 

[...]

Essa areia solta, e um tanto grossa, tem cor uniforme que reverbera com intensidade os raios do Sol, quando nela batem de chapa. Em alguns pontos é tão fofa e movediça que os animais das tropas viageiras arquejam de cansaço, ao vencerem aquele terreno incerto, que lhes foge de sob os cascos e onde se enterram até meia canela.

[...]

Ora é a perspectiva dos cerrados, não desses cerrados de arbustos raquíticos, enfezados e retorcidos de São Paulo e Minas Gerais, mas de garbosas e elevadas árvores que, se bem não tomem, todas, o corpo de que são capazes à beira das águas correntes ou regadas pela linfa dos córregos, contudo ensombram com folhuda rama o terreno que lhes fica em derredor e mostram na casca lisa a força da seiva que as alimenta; ora são campos a perder de vista, cobertos de macega alta e alourada, ou de viridente e mimosa grama, toda salpicada de silvestres flores; ora sucessões de luxuriantes capões, tão regulares e simétricos em sua disposição que surpreendem e embelezam os olhos; ora, enfim, charnecas meio apauladas, meio secas, onde nasce o altivo buriti e o gravata entrança o seu tapume espinhoso.


Nesses campos, tão diversos pelo matiz das cores, o capim crescido e ressecado pelo ardor do Sol transforma-se em vicejante tapete de relva, quando lavra o incêndio que algum tropeiro, por acaso ou mero desenfado, ateia com uma faúlha do seu isqueiro.


TAUNAY, Alfredo d’Escragnolle. Inocência. Porto Alegre: L&PM, 1999.


Texto 2 


Assim, de meio assombrado me fui repondo quando ouvi que indagavam:

− Então patrício? está doente?

− Obrigado! Não senhor, respondi, não é doença; é que sucedeu-me uma desgraça: perdi

uma dinheirama do meu patrão...

− A la fresca!...

− É verdade... antes morresse, que isto! Que vai ele pensar agora de mim!...

− É uma dos diabos, é...; mas não se acoquine, homem!

Nisto o cusco brasino deu uns pulos ao focinho do cavalo, como querendo lambê-lo, e logo

correu para a estrada, aos latidos. E olhava-me, e vinha e ia, e tornava a latir...

Ah!... E num repente lembrei-me bem de tudo.

Parecia que estava vendo o lugar da sesteada, o banho, a arrumação das roupas nuns galhos de sarandi, e, em cima de uma pedra, a guaiaca e por cima dela o cinto das armas, e até uma ponta de cigarro de que tirei uma última tragada, antes de entrar na água, e que deixei espetada num espinho, ainda fumegando, soltando uma fitinha de fumaça azul, que subia, fininha e direita, no ar sem vento...; tudo, vi tudo.
Estava lá, na beirada do passo, a guaiaca. E o remédio era um só: tocar a meia rédea, antes
que outros andantes passassem.
[...]
LOPES NETO, João Simões. Contos gauchescos. Porto Alegre: L&PM, 1998.

Texto 3 

Sua casa ficava para trás da Serra do Mim, quase no meio de um brejo de água limpa, lugar chamado o Temor-de-Deus. O Pai, pequeno sitiante, lidava com vacas e arroz; a Mãe, urucuiana, nunca tirava o terço da mão, mesmo quando matando galinhas ou passando descompostura em alguém. E ela, menininha, por nome Maria, Nhinhinha dita, nascera já muito para miúda, cabeçudota e com olhos enormes.

    Não que parecesse olhar ou enxergar de propósito. Parava quieta, não queria bruxas de pano, brinquedo nenhum, sempre sentadinha onde se achasse, pouco se mexia. – “Ninguém entende muita coisa que ela fala...”- dizia o Pai, com certo espanto. Menos pela estranhez das palavras, pois só em raro ela perguntava, por exemplo: - “Ele xurugou?” – e, vai ver, quem e o quê, jamais se saberia. Mas, pelo esquisito do juízo ou enfeitado do sentido. Com riso imprevisto: - “Tatu não vê a lua...”- ela falasse. [...] 

ROSA, João Guimarães. Primeiras Estórias. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2016.
A partir da análise de Bosi (2006) sobre a obra de Guimarães Rosa, considere as seguintes afirmativas:

I. A escrita de Guimarães Rosa aboliu as fronteiras entre o texto narrativo e o lírico. Grande Sertão: Veredas e as novelas de Corpo de Baile, por exemplo, além de incluir recursos da expressão poética, revitalizam-nos na construção narrativa.
II. Sobre os contos da obra Primeiras Estórias, observa-se que, em A menina de lá, ao qual pertence o fragmento do texto 3, há um apelo ao lúdico e ao mágico, enquanto, em O Burrinho Pedrês, o autor desenvolve uma espécie de mimetismo entre o culto e o folclórico.
III. A obra de Guimarães Rosa configura-se como um desafio à forma convencional de construção narrativa, pois seus processos mais frequentes pertencem aos domínios do poético e do mítico.

Está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s)
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2

457941200278491
Ano: 2021Banca: OMNIOrganização: Prefeitura de Sertãozinho - SPDisciplina: Literatura Brasileira e UniversalTemas: Movimentos Literários | Gêneros Literários | Classificação dos Gêneros Literários | Gênero Lírico | Modernismo Brasileiro | Poemas de Forma Fixa | Estilística
Leia o seguinte trecho do poema de abertura de Alguma poesia, a primeira obra publicada por Carlos Drummond de Andrade.

Poema de sete faces
[...] As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu
coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada. [...]


Na segunda geração modernista, esse poema representou a seguinte fase:

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3

457941200157891
Ano: 2021Banca: IF Sul Rio-GrandenseOrganização: IF Sul Rio-GrandenseDisciplina: Literatura Brasileira e UniversalTemas: Realismo Literário | Gênero Dramático | Gêneros Literários | Classificação dos Gêneros Literários | Estudos Literários | Movimentos Literários
Texto associado
— Se não, vejam vossas senhorias isto! Que paz, que animação, que prosperidade!
E com um grande gesto mostrava-lhes o Largo do Loreto, que àquela hora, num fim de tarde serena, concentrava a vida da cidade. Tipoias vazias rodavam devagar; pares de senhoras passavam, com os movimentos derreados, a palidez clorótica duma degeneração de raça; nalguma magra pileca, ia trotando algum moço de nome histórico, com a face ainda esverdeada da noitada de vinho; pelos bancos de praça gente estirava-se num torpor de vadiagem; um carro de bois, aos solavancos sobre suas altas rodas, era como o símbolo de agriculturas atrasadas de séculos; fadistas gingavam, de cigarro nos dentes; algum burguês enfastiado lia nos cartazes o anúncio de operetas obsoletas; nas faces enfezadas de operários havia como a personificação das indústrias moribundas... E todo este mundo decrépito se movia lentamente, sob um céu lustroso de clima rico, entre garotos apregoando a lotaria e a batota pública, e rapazitos de voz plangente oferecendo o Jornal das pequenas novidades [...].

 QUEIRÓS, Eça de. O crime do padre Amaro. Lisboa: Imprensa Nacional – Casa da Moeda,
2000.
No que se refere aos recursos estilísticos que Saraiva e Lopes (2004) reconhecem na prosa de Eça de Queirós, observa-se no excerto o emprego de
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4

457941202034884
Ano: 2020Banca: MS CONCURSOSOrganização: Prefeitura de Corumbiara - RODisciplina: Literatura Brasileira e UniversalTemas: Gêneros Literários
Sobre gêneros literários, marque (V) verdadeiro ou (F) falso e assinale a alternativa correta:
( ) Os gêneros literários reúnem um conjunto de obras que apresentam características análogas de forma e conteúdo. Essa classificação pode ser feita de acordo com critérios semânticos, sintáticos, fonológicos, formais, contextuais, etc.
( ) Os gêneros literários dividem-se em três categorias básicas: épicos, líricos e dramáticos.
( ) No gênero épico, há presença de um narrador, responsável por contar uma história, na qual as personagens atuam em um determinado espaço e tempo. A narrativa apresenta um episódio heroico, geralmente há presença de figuras fantasiosas.
( ) No gênero lírico, são expressos os sentimentos e emoções do eu lírico, há predominância de pronomes e verbos na 1ª pessoa, além da exploração da musicalidade das palavras.
( ) O gênero dramático, é próprio para a representação, ele aparece em versos ou prosa, passíveis de encenação teatral. A voz narrativa está entregue às personagens, atores que contam uma história por meio de diálogos, ou monólogos.
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5

457941201895316
Ano: 2024Banca: FUNDATECOrganização: Prefeitura de Cruz Alta - RSDisciplina: Literatura Brasileira e UniversalTemas: Gêneros Literários | Classificação dos Gêneros Literários
Qual das alternativas abaixo apresenta uma contribuição significativa de Oliveira Silveira para a literatura brasileira, especialmente em relação à temática afro-brasileira? 
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6

457941200552903
Ano: 2024Banca: Instituto Abaré-etéOrganização: Prefeitura de São Gabriel da Cachoeira - AMDisciplina: Literatura Brasileira e UniversalTemas: Gêneros Literários
Qual das seguintes peças é considerada uma das mais importantes tragédias gregas e foi escrita por Sófocles por volta de 429 a.C.?
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7

457941201934745
Ano: 2024Banca: AGIRHOrganização: Prefeitura de Roseira - SPDisciplina: Literatura Brasileira e UniversalTemas: Gêneros Literários | Estudos Literários
Os gêneros teatrais mais conhecidos da Grécia Antiga são a tragédia e a comédia. No caso da tragédia, Aristóteles define a noção de catarse, que é:
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8

457941201343852
Ano: 2016Banca: Master ConsultoriaOrganização: Prefeitura de Coruripe - ALDisciplina: Língua PortuguesaTemas: Relações Intertextuais | Análise Textual | Gêneros Literários

Leia o poema abaixo e responda à próxima questão.


ANATOMIA DO MONÓLOGO

ser ou não ser ?

er ou não er ?

r ou não r ?

ou não ?

onã?


(José Paulo Paes)


Em relação ao poema Anatomia do monólogo, de José Paulo Paes, podemos afirmar:

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9

457941200662108
Ano: 2015Banca: MáximaOrganização: IBIO - AGB Doce - MGDisciplina: Língua PortuguesaTemas: Gêneros Literários | Análise Textual
Texto associado

Texto II


Cogito

Eu sou como eu sou

Pronome

Pessoal intransferível

Do homem que iniciei

Na medida do impossível


Eu sou como eu sou

Agora

Sem grandes segredos dantes

Sem novos secretos dentes

Nesta hora


Eu sou como eu sou

Presente

Desferrolhado indecente

Feito um pedaço de mim


Eu sou como eu sou

Vidente

E vivo tranquilamente

Todas as horas do fim.



NETO, Torquato.

O primeiro verso em cada estrofe se repete. Com isso:

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10

457941201791551
Ano: 2016Banca: PROMUNOrganização: Prefeitura de Campos do Jordão - SPDisciplina: Língua PortuguesaTemas: Gêneros Literários
Texto associado

Para responder as questões propostas, de 1 a 3, leia com atenção o texto abaixo.


ALMA FATIGADA

Cruz e Sousa


Nem dormir nem morrer na fria eternidade!

mas repousar um pouco e repousar um tanto,

os olhos enxugar das convulsões do pranto,

enxugar e sentir a ideal serenidade.

A graça do consolo e da tranquilidade

de um céu de carinhoso e perfumado encanto,

mas sem nenhum carnal e mórbido quebranto,

sem o tédio senil da vã perpetuidade.

Um sonho lirial d'estrelas desoladas,

onde as almas febris, exaustas, fatigadas

possam se recordar e repousar tranquilas!


Um descanso de Amor, de celestes miragens,

onde eu goze outra luz de místicas paisagens

e nunca mais pressinta o remexer das argilas!

Podemos afirmar, pelo entendimento do texto, que:

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