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“A casa de tia Ciata se torna a capital dessa Pequena África no Rio de Janeiro [...]. Na sua casa, capital do pequeno continente de africanos e baianos, se podiam reforçar os valores do grupo, afirmar o seu passado cultural e sua vitalidade criadora recusados pela sociedade. Lá começam a ser elaboradas novas possibilidades para esse grupo excluído das grandes decisões e das propostas modernizadoras da cidade, gente que progressivamente se integraria, a partir do processo de proletarização que se acentua no fim da República Velha e da redefinição de sua vida cultural [...].”
(MOURA, Roberto. Tia Ciata e a Pequena África no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Secretaria Municipal de Cultura, Departamento Geral de Documentação e informação Cultural, Divisão de Editoração, 1995. pp. 152-153.)
No contexto da Primeira República, a população negra recém-liberta enfrentava a marginalização do Estado e recorria a redes comunitárias de solidariedade e resistência. Nesse cenário, a casa de Tia Ciata, localizada no Rio de Janeiro, destacou-se como um espaço de sociabilidade, cultura e organização popular. Com base nesse contexto histórico, indique a alternativa correta.
Em 1774, a separação administrativa entre Maranhão e Grão-Pará marcou uma mudança significativa na organização territorial do norte da América Portuguesa. Considerando os efeitos históricos dessa cisão e suas relações com a economia e a política imperial, assinale a afirmativa correta.
“Houve uma guerra civil (a Revolução Constitucionalista de 1932), a única ocorrida no país até hoje, essa sim com muitos mortos entre a população, que combateu nos dois lados, formando contingentes de soldados despreparados, mas sinceramente mobilizados por suas causas. Além disso, esse foi o momento em que eclodiu a Segunda Guerra Mundial, cujos impactos na vida política e econômica brasileira foram grandes, pois ela forneceu o clima e as condições para o término de uma das mais importantes negociações diplomáticas, tendo em vista uma mudança de patamar no processo de industrialização em curso no Brasil.”
(GOMES, Angela de Castro (Coord.). Olhando para dentro: 1930-1964. Rio de Janeiro: Objetiva, 2013. p. 24.)
A Revolução Constitucionalista de 1932 é frequentemente interpretada como uma luta pela legalidade e pela restauração da Constituição. No entanto, análises críticas vinculam à resistência das elites paulistas à disputa por poder. Com base nessa perspectiva, assinale a afirmativa correta.
“Em 23 de julho, a Regência era finalmente dissolvida, dando início ao Segundo Reinado. Um ano depois, em 18 de julho, realizou-se a pomposa cerimônia de sagração e coroação do jovem monarca, prolongando-se as festividades até o dia 24, com notável presença popular. Comemoração emblemática [...] do novo tempo que se iniciava [...]. O povo do Rio de Janeiro estava de novo nas ruas. Mas [...] não era mais o agente dos acontecimentos, figurando agora como mero espectador, a saudar a subida ao trono do filho daquele que, há não muito tempo, ajudara a depor. Neste ínterim, muita coisa mudou: de cidadão que lutava para se fazer soberano, o povo voltava serenamente à condição de súdito, sob a proteção de um novo imperador.”
(GRINBERG, Keila; SALLES, Ricardo (Orgs.). O Brasil Imperial: 1831-1870. v. 2. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2009. p. 97.)
O Segundo Reinado (1840-1889), sob o governo de Dom Pedro II, foi um período de grandes transformações políticas, sociais e econômicas no Brasil. Nesse contexto, considerando os elementos estruturais que sustentaram o poder imperial, assinale a alternativa correta.
“Pelo séc. XVII adiante [...] os paulistas irão buscar os índios em fuga nos mais longínquos territórios. Daí estas expedições conhecidas por ‘bandeiras’, que percorrerão todo o interior do continente e que alargarão consideravelmente, embora sem consciência disto, os limites das possessões portuguesas. Entre suas vítimas estarão as missões dos Jesuítas, que se tinham localizado com seus índios domesticados numa sucessão de núcleos estendidos pelo coração do continente, desde o rio Uruguai, no Sul, até o alto Amazonas. Periodicamente, estas missões serão atacadas pelas bandeiras, que levarão os índios encontrados em cativeiro. Em muitos casos, os padres desalojados abandonarão a partida; e o território, antes ocupado por eles (e incluídos por isso até então, porque eles eram de origem espanhola, nos domínios castelhanos) ficará livre para a expansão da colonização portuguesa. A caça ao índio será um dos principais fatores da grandeza atual do Brasil.”
(JÚNIOR, Caio Prado. História econômica do Brasil. São Paulo: Brasiliense, 1956. p. 22.)
As expedições bandeirantes, particularmente no século XVII, estiveram profundamente associadas ao processo de interiorização da colonização portuguesa. Com base na historiografia e na análise das finalidades e efeitos das bandeiras, identifique a afirmativa correta.
“Da expansão geográfica dos paulistas, nos séculos XVI, XVII e XVIII, resultou não apenas incorporação de território às terras da Coroa portuguesa na América, mas a definição de certos tipos de cultura e vida social, condicionados em grande parte por aquele grande fenômeno de mobilidade. [...] Em certas porções do grande território devassado pelas bandeiras e entradas – já denominado significativamente Paulistânia – as características iniciais do vicentino se desdobraram numa variedade subcultural do tronco português, que se pode chamar de ‘cultura caipira’. Podemos considerar que a fixação generalizada do paulista ao solo, em seguida ao fim dos ciclos bandeirantes, no século XVIII, fez com que se espraiasse pela capitania, até os limites do povoamento, [...] um lençol de cultura caipira.”
(ANTONIO, Candido. Os parceiros do Rio Bonito: estudo sobre o caipira paulista e a transformação dos seus meios de vida. Rio de Janeiro: Ouro sobre Azul, 2010. p. 93.)
Tendo em vista a análise sociológica proposta por Antonio Candido na obra “Os parceiros do Rio Bonito”, assinale a afirmativa correta, considerando a estruturação de uma cultura rural autônoma.
“A região – a ‘banda oriental’, dos tempos coloniais – havia sido disputada pelas potências ibéricas desde a descoberta do rio da Prata, mas passou a sê-lo com maior empenho após a fundação de Colônia. Invadida por tropas portuguesas em 1821, incorporada ao nascente Império de D. Pedro I, no ano seguinte, como ‘Província Cisplatina’, tornou-se independente em 1828, ao final de uma guerra entre a Argentina e o Brasil, com o nome de ‘República Oriental do Uruguai’. Manteve as mesmas fronteiras da incorporação (o arroio Chuí, a Lagoa Mirim, o rio Jaguarão, as cumeeiras da coxilha de Santana e o rio Quaraí).”
(GOES FILHO, Synesio Sampaio. As fronteiras do Brasil. Brasília: FUNAG, 2013. p. 17.)
A incorporação da Província Cisplatina ao Império do Brasil e sua posterior separação como República Oriental do Uruguai evidenciam os limites e contradições da política territorial do Estado brasileiro no século XIX. Com base nesse contexto, indique a opção correta.
“No Brasil o regime corporativista fascista também gerou admiração. Acresce que para os positivistas brasileiros como Getúlio Vargas o prestígio do fascismo no período, dado o aparente sucesso inicial do regime, somava-se às já mencionadas ressonâncias entre positivismo e fascismo. O modelo italiano a ser exportado é sempre o corporativismo, vitrine do fascismo.”
(MORAES, Francisco Quartim de. Positivismo social: o legado de Saint-Simon e sua recepção no Brasil. Tese de Doutorado, USP, São Paulo, 2022. p. 275.)
Na década de 1930, no Brasil, setores ligados ao positivismo, como Getúlio Vargas, elogiaram aspectos do corporativismo fascista, em especial sua capacidade de ordenar as relações sociais. Nesse contexto, assinale a afirmativa correta.
“Às vinte horas, conforme o combinado, Marighella caminhava pela alameda Casa Branca. Carregava uma pequena pasta preta. Fora antecedido por um olheiro que nada notara de anormal. Um Volkswagen azul, com os freis Ivo e Fernando a bordo, estava estacionado em frente ao número 806. No quarteirão da alameda Casa Branca que vai da Lorena à rua Tatuí havia 29 policiais e um cão, distribuídos em sete automóveis. O delegado Fleury saiu da noite, atirando. Começou uma fuzilaria, estimulada pela certeza dos outros policiais de que a guarda do chefe terrorista estava respondendo ao fogo. Marighella levou cinco tiros. Um, disparado à queima-roupa, seccionou-lhe a aorta. Sua peruca ficou no chão. Na pasta, que não chegou a abrir, havia um revólver Taurus calibre 32 com cinco balas e duas cápsulas de cianeto de potássio. Quando acabaram os disparos, a polícia matara também um dentista alemão que passava num Buick, ferira mortalmente uma investigadora que fingia namorar num carro próximo e baleara um delegado. [...] À figura mítica do chefe guerrilheiro, morto numa trama banal, impunha-se a força de Fleury, seu assassino.”
(GASPARI, Elio. A ditadura escancarada. São Paulo: Cia das Letras, 2002. pp. 155-156.)
O contexto da ditadura civil-militar instaurada em 1964 levou à emergência de diversas formas de resistência. Entre elas, destacou-se a atuação de Carlos Marighella, cuja trajetória revela os dilemas estratégicos e ideológicos enfrentados pelas esquerdas brasileiras. Com base nesse contexto, marque a opção correta.
“O esgotamento do regime era inquestionável. E a legitimidade do arbítrio – já minorado pela abertura democrática – tinha como fundamento a prosperidade econômica, que estava sendo duramente atingida na presidência de Figueiredo. Não por acaso, o ano político começava tendo a Emenda Dante de Oliveira como foco. A 12 de janeiro, em Curitiba, realizou-se o lançamento da campanha pelas Diretas Já. E 60 mil pessoas compareceram ao comício. Nunca houvera movimento na nossa história que tivesse empolgado tão rapidamente os brasileiros: foram três meses eletrizantes. Em dezenas de cidades se espalharam placares com a posição de cada deputado sobre a emenda. Diretas Já passou a ser o assunto em todas as rodas de conversas.”
(VILLA, Marco Antonio. Ditadura à brasileira. São Paulo: Leya, 2014. pp. 207-208.)
O movimento Diretas Já, ocorrido entre 1983 e 1984, foi uma das mais amplas mobilizações populares da história política do Brasil, expressando a insatisfação crescente com o regime militar e reivindicando eleições diretas para a presidência da República. O movimento teve impacto significativo na correlação de forças e na mobilização das massas trabalhadoras, estudantes, intelectuais e setores médios urbanos. Com base nesse contexto, assinale a afirmativa correta.