Durante os anos 1960, período de grande efervescência na música brasileira, além da bossa nova que
surgia como uma forma jazzística de tocar os sambas brasileiros, novos movimentos e compositores
surgiram no contexto marcado pela Ditadura Militar. Em meio à repressão e ao intenso controle do
Estado sobre as produções artísticas do período, surgiram os Festivais da Música Popular Brasileira,
que reuniram muitos dos principais artistas da época. Nesse contexto surgiu o Tropicalismo, ou
Tropicália, influenciando diversos campos da arte além da música, como o cinema, o teatro, a poesia e
as artes plásticas. Com o fim da Segunda Guerra Mundial, ideias como progresso, desenvolvimento,
racionalidade, entre outras, relacionadas à modernidade, passaram a ser fortemente questionadas diante
dos resultados traumáticos dos conflitos que marcaram a primeira metade do século XX, além das
experiências totalitaristas, sobretudo o nazifascismo. Nas artes, floresciam movimentos cujo objetivo
concentrava-se na observação política e no debate estético, além de um forte espírito de contestação
dos próprios pressupostos modernos.
A respeito das características e contribuições da Tropicália para a arte brasileira, analise as afirmações
a seguir:
I – o artifício da alegoria foi uma das ferramentas mais importantes e inventivas utilizadas pelo
Tropicalismo como forma de comportar suas visões críticas sobre a realidade política e social do Brasil
e contornar o aparelho da censura.
II – o Tropicalismo destaca-se como um marco na história da arte no Brasil, trazendo tanto novas
discussões políticas e estéticas, como também resgatando debates e abordagens artísticas que tiveram
início na Semana de Arte Moderna de 1922.
III – A Tropicália rejeitou a proposta antropofágica dos modernistas, preferindo resgatar aspectos
estéticos e temáticos tradicionais, o que fica comprovado pela ausência de influência de estilos e termos
estrangeiros nas composições.
IV – Na Manifestação Contra a Guitarra Elétrica, ocorrida em 1967, integrantes da MPB questionaram
o uso desse instrumento entre os artistas da nascente música tropicalista. Como símbolo estrangeiro, o
instrumento em certa medida macularia a originalidade da tradição musical brasileira. Contudo, o uso
de instrumentos e influências externas dava-se de forma antropofágica e crítica.