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1

457941201781760
Ano: 2017Banca: FAUELOrganização: Câmara de Maria Helena - PRDisciplina: Língua PortuguesaTemas: Análise Textual

Leia atentamente o texto abaixo para responder a questão.



A ARMADILHA

Murilo Rubião


    Alexandre Saldanha Ribeiro. Desprezou o elevador e seguiu pela escada, apesar da volumosa mala que carregava e do número de andares a serem vencidos. Dez.

    Não demonstrava pressa, porém o seu rosto denunciava a segurança de uma resolução irrevogável. Já no décimo pavimento, meteu-se por um longo corredor, onde a poeira e detritos emprestavam desagradável aspecto aos ladrilhos. Todas as salas encontravam-se fechadas e delas não escapava qualquer ruído que indicasse presença humana.

    Parou diante do último escritório e perdeu algum tempo lendo uma frase, escrita a lápis, na parede. Em seguida passou a mala para a mão esquerda e com a direita experimentou a maçaneta, que custou a girar, como se há muito não fosse utilizada. Mesmo assim não conseguiu franquear a porta, cujo madeiramento empenara. Teve que usar o ombro para forçá-la. E o fez com tamanha violência que ela veio abaixo ruidosamente. Não se impressionou. Estava muito seguro de si para dar importância ao barulho que antecedera a sua entrada numa saleta escura, recendendo a mofo. Percorreu com os olhos os móveis, as paredes. Contrariado, deixou escapar uma praga. Quis voltar ao corredor, a fim de recomeçar a busca, quando deu com um biombo. Afastou-o para o lado e encontrou uma porta semicerrada. Empurrou-a. Ia colocar a mala no chão, mas um terror súbito imobilizou-o: sentado diante de uma mesa empoeirada, um homem de cabelos grisalhos, semblante sereno, apontava-lhe um revólver. Conservando a arma na direção do intruso, ordenou-lhe que não se afastasse.

    Também a Alexandre não interessava fugir, porque jamais perderia a oportunidade daquele encontro. A sensação de medo fora passageira e logo substituída por outra mais intensa, ao fitar os olhos do velho. Deles emergia uma penosa tonalidade azul.

    Naquela sala tudo respirava bolor, denotava extremo desmazelo, inclusive as esgarçadas roupas do seu solitário ocupante:

    — Estava à sua espera — disse, com uma voz macia. Alexandre não deu mostras de ter ouvido, fascinado com o olhar do seu interlocutor. Lembrava-lhe a viagem que fizera pelo mar, algumas palavras duras, num vão de escada.

    O outro teve que insistir:

    — Afinal, você veio.

    Subtraído bruscamente às recordações, ele fez um esforço violento para não demonstrar espanto:

    — Ah, esperava-me? — Não aguardou resposta e prosseguiu exaltado, como se de repente viesse à tona uma irritação antiga: — Impossível! Nunca você poderia calcular que eu chegaria hoje, se acabo de desembarcar e ninguém está informado da minha presença na cidade! Você é um farsante, mau farsante. Certamente aplicou sua velha técnica e pôs espias no meu encalço. De outro modo seria difícil descobrir, pois vivo viajando, mudando de lugar e nome.

    — Não sabia das suas viagens nem dos seus disfarces.

    — Então, como fez para adivinhar a data da minha chegada?

    — Nada adivinhei. Apenas esperava a sua vinda. Há dois anos, nesta cadeira, na mesma posição em que me encontro, aguardava-o certo de que você viria.

    Por instantes, calaram-se. Preparavam-se para golpes mais fundos ou para desvendar o jogo em que se empenhavam.

    Alexandre pensou em tomar a iniciativa do ataque, convencido de que somente assim poderia desfazer a placidez do adversário. Este, entretanto, percebeu-lhe a intenção e antecipou-se:

    — Antes que me dirija outras perguntas — e sei que tem muitas a fazer-me — quero saber o que aconteceu com Ema.

    — Nada — respondeu, procurando dar à voz um tom despreocupado.

    — Nada?

    Alexandre percebeu a ironia e seus olhos encheram-se de ódio e humilhação. Tentou revidar com um palavrão. Todavia, a firmeza e a tranquilidade que iam no rosto do outro venceramno.

    — Abandonou-me — deixou escapar, constrangido pela vergonha. E numa tentativa inútil 4 de demonstrar um resto de altivez, acrescentou:

    — Disso você não sabia!

    Um leve clarão passou pelo olhar do homem idoso: — Calculava, porém desejava ter certeza.

(Murilo Rubião. A casa do girassol vermelho e outros contos. São Paulo: Companhia das Letras, 2006, p. 61)

Sobre o texto, é possível afirmar que:
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2

457941200570280
Ano: 2017Banca: FAUELOrganização: Câmara de Maria Helena - PRDisciplina: Língua PortuguesaTemas: Análise Textual

Leia atentamente o texto abaixo para responder a questão.



A ARMADILHA

Murilo Rubião


    Alexandre Saldanha Ribeiro. Desprezou o elevador e seguiu pela escada, apesar da volumosa mala que carregava e do número de andares a serem vencidos. Dez.

    Não demonstrava pressa, porém o seu rosto denunciava a segurança de uma resolução irrevogável. Já no décimo pavimento, meteu-se por um longo corredor, onde a poeira e detritos emprestavam desagradável aspecto aos ladrilhos. Todas as salas encontravam-se fechadas e delas não escapava qualquer ruído que indicasse presença humana.

    Parou diante do último escritório e perdeu algum tempo lendo uma frase, escrita a lápis, na parede. Em seguida passou a mala para a mão esquerda e com a direita experimentou a maçaneta, que custou a girar, como se há muito não fosse utilizada. Mesmo assim não conseguiu franquear a porta, cujo madeiramento empenara. Teve que usar o ombro para forçá-la. E o fez com tamanha violência que ela veio abaixo ruidosamente. Não se impressionou. Estava muito seguro de si para dar importância ao barulho que antecedera a sua entrada numa saleta escura, recendendo a mofo. Percorreu com os olhos os móveis, as paredes. Contrariado, deixou escapar uma praga. Quis voltar ao corredor, a fim de recomeçar a busca, quando deu com um biombo. Afastou-o para o lado e encontrou uma porta semicerrada. Empurrou-a. Ia colocar a mala no chão, mas um terror súbito imobilizou-o: sentado diante de uma mesa empoeirada, um homem de cabelos grisalhos, semblante sereno, apontava-lhe um revólver. Conservando a arma na direção do intruso, ordenou-lhe que não se afastasse.

    Também a Alexandre não interessava fugir, porque jamais perderia a oportunidade daquele encontro. A sensação de medo fora passageira e logo substituída por outra mais intensa, ao fitar os olhos do velho. Deles emergia uma penosa tonalidade azul.

    Naquela sala tudo respirava bolor, denotava extremo desmazelo, inclusive as esgarçadas roupas do seu solitário ocupante:

    — Estava à sua espera — disse, com uma voz macia. Alexandre não deu mostras de ter ouvido, fascinado com o olhar do seu interlocutor. Lembrava-lhe a viagem que fizera pelo mar, algumas palavras duras, num vão de escada.

    O outro teve que insistir:

    — Afinal, você veio.

    Subtraído bruscamente às recordações, ele fez um esforço violento para não demonstrar espanto:

    — Ah, esperava-me? — Não aguardou resposta e prosseguiu exaltado, como se de repente viesse à tona uma irritação antiga: — Impossível! Nunca você poderia calcular que eu chegaria hoje, se acabo de desembarcar e ninguém está informado da minha presença na cidade! Você é um farsante, mau farsante. Certamente aplicou sua velha técnica e pôs espias no meu encalço. De outro modo seria difícil descobrir, pois vivo viajando, mudando de lugar e nome.

    — Não sabia das suas viagens nem dos seus disfarces.

    — Então, como fez para adivinhar a data da minha chegada?

    — Nada adivinhei. Apenas esperava a sua vinda. Há dois anos, nesta cadeira, na mesma posição em que me encontro, aguardava-o certo de que você viria.

    Por instantes, calaram-se. Preparavam-se para golpes mais fundos ou para desvendar o jogo em que se empenhavam.

    Alexandre pensou em tomar a iniciativa do ataque, convencido de que somente assim poderia desfazer a placidez do adversário. Este, entretanto, percebeu-lhe a intenção e antecipou-se:

    — Antes que me dirija outras perguntas — e sei que tem muitas a fazer-me — quero saber o que aconteceu com Ema.

    — Nada — respondeu, procurando dar à voz um tom despreocupado.

    — Nada?

    Alexandre percebeu a ironia e seus olhos encheram-se de ódio e humilhação. Tentou revidar com um palavrão. Todavia, a firmeza e a tranquilidade que iam no rosto do outro venceramno.

    — Abandonou-me — deixou escapar, constrangido pela vergonha. E numa tentativa inútil 4 de demonstrar um resto de altivez, acrescentou:

    — Disso você não sabia!

    Um leve clarão passou pelo olhar do homem idoso: — Calculava, porém desejava ter certeza.

(Murilo Rubião. A casa do girassol vermelho e outros contos. São Paulo: Companhia das Letras, 2006, p. 61)

Protagonista é o personagem principal de uma história; o antagonista é o personagem que se opõe ao protagonista; já o personagem secundário é aquele que auxilia no desenvolvimento narrativo. É possível, neste trecho do conto “A Armadilha”, identificar que:
I. Ema é protagonista e Alexandre antagonista.
II. Alexandre é protagonista e Ema é personagem secundária.
III. O “homem de cabelos grisalhos, semblante sereno”, cujo nome não aparece no texto, é antagonista.
IV. Alexandre e Ema são protagonistas e não há no conto nenhum antagonista.
V. Ema é antagonista e os outros dois personagens são protagonistas.
Pode-se afirmar que está correto o que se declara em:
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3

457941201717025
Ano: 2017Banca: FAUELOrganização: Câmara de Maria Helena - PRDisciplina: Conhecimentos AtuaisTemas: Eventos Contemporâneos de 2017 | Ciência Política | Política Brasileira
Leia atentamente a seguinte notícia jornalística sobre um recente episódio da política brasileira e assinale a alternativa que preenche corretamente a lacuna:
“O Supremo Tribunal Federal decidiu nesta quarta-feira que ______________ não precisa ser afastado da presidência do Senado Federal porque é réu, ao contrário do que havia determinado liminar do ministro Marco Aurélio. Para a corte, o senador só não pode assumir a Presidência da República na condição de réu. A sentença é uma vitória para o senador peemedebista e para a própria direção do Senado, que haviam desafiado a corte e decidido não cumprir a liminar”. (Jornal El País, São Paulo, 8 dez 2016, com adaptações).
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4

457941200131055
Ano: 2017Banca: FAUELOrganização: Câmara de Maria Helena - PRDisciplina: Direito AdministrativoTemas: Controle Administrativo, Judicial e Legislativo | Controle da Gestão Pública
Compete ao Poder Legislativo, além da atividade legiferante, a realização da fiscalização da administração pública. O controle legislativo, por vezes chamado de controle parlamentar, possui limites traçados pelo texto constitucional, aplicados, por simetria, à esfera municipal. A respeito do tema, é correto afirmar:
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5

457941200714702
Ano: 2017Banca: FAUELOrganização: Câmara de Maria Helena - PRDisciplina: Direito ConstitucionalTemas: Estrutura Político-Administrativa do Estado | Distribuição de Competências Constitucionais
Acerca da distribuição de competências prevista na Constituição, assinale a alternativa correta:
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6

457941200928757
Ano: 2017Banca: FAUELOrganização: Câmara de Maria Helena - PRDisciplina: Língua PortuguesaTemas: Análise Textual
Pleonasmo é a repetição, utilizando-se de palavras diferentes, de uma informação já apresentada na frase. O seu emprego somente se justifica quando há a finalidade específica de enfatizar ou completar uma ideia ou em gêneros poéticos, sendo que sua aplicação inadequada é conhecida na gramática como “pleonasmo vicioso”. Assinale a única alternativa na qual se apresenta um pleonasmo vicioso.
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7

457941202023130
Ano: 2017Banca: FAUELOrganização: Câmara de Maria Helena - PRDisciplina: Novo Código de Processo Civil (CPC 2015)Temas: Fundamentos do Processo
O novo Código de Processo Civil (CPC) estabeleceu algumas inovações no sistema jurídico. Dentre as inovações está o art.9º, que estabelece que “Não se proferirá decisão contra uma das partes sem que ela seja previamente ouvida”. O próprio Código estabelece exceções a esta regra, previstos nos incisos I, II e III do parágrafo único do art. 9º. Com base nisso, assinale a alternativa que indica uma hipótese NÃO prevista como exceção à regra estabelecida no art. 9º do CPC:
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8

457941201846009
Ano: 2017Banca: FAUELOrganização: Câmara de Maria Helena - PRDisciplina: Língua PortuguesaTemas: Sintaxe
“Ficaram pasmados, ao entenderem a gravidade da situação.”
Analisando o período acima, pode-se concluir que:
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9

457941201679899
Ano: 2017Banca: FAUELOrganização: Câmara de Maria Helena - PRDisciplina: Novo Código de Processo Civil (CPC 2015)Temas: Outras Legislações Especiais | Mandado de Segurança em Processo Civil | Preclusão no Processo Civil
A respeito das disposições do Código de Processo Civil em vigor (Lei nº 13.105/2015) e as disposições da Lei do Mandado de Segurança (Lei nº 12.016/2009), julgue a Verdade (V) ou Falsidade (F) dos itens a seguir, e assinale a alternativa com a sequência correta:

I- Não se concederá mandado de segurança quando se tratar de ato do qual caiba recurso administrativo com efeito suspensivo, independentemente de caução.
II- O juiz, ao despachar a inicial, determinará que o coator preste informações no prazo de 15 (quinze) dias.
III- Não está sujeita ao duplo grau de jurisdição a sentença proferida contra Município que não constitua capital do Estado e cujo proveito econômico obtido na causa for de valor certo e líquido inferior a 500 (quinhentos) salários-mínimos. 
IV- Não fazem coisa julgada a verdade dos fatos, estabelecida como fundamento da sentença.
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10

457941201041379
Ano: 2017Banca: FAUELOrganização: Câmara de Maria Helena - PRDisciplina: Língua PortuguesaTemas: Morfologia
“Ele me pediu que construísse uma casa tão bela quanto à de seu vizinho.”
No período acima, a palavra “tão” pode ser gramaticalmente classificada como:
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