De acordo com Dejours (1992), o medo se constitui em uma
das dimensões da vivência dos trabalhadores quase sempre
ignorada por todos os estudos em psicopatologia do
trabalho, área que se encontra muito propícia para
ressaltar essa problemática nova na medida em que
constitui uma abordagem específica da relação do homem
com a realidade do seu trabalho. Com respeito à relação
entre trabalho e medo, julgue os itens a seguir.
I. O medo está presente em todos os tipos de ocupação
profissional, inclusive nas tarefas repetitivas e nos
trabalhos de escritório, local onde parece ocupar um
papel mais modesto. Isso ocorre porque em tais
categorias profissionais as pessoas são sempre
expostas a riscos, psicológicos ou físicos.
II. O risco em organizações é, via de regra, coletivo na
maioria das situações de trabalho em que vários
trabalhadores colaboram na mesma tarefa. Assim,
apesar de as medidas protetivas coletivas serem mais
eficazes, quase sempre são propostas ao trabalhador
apenas medidas preventivas individuais que podem ter
um caráter material ou psicológico. O problema do
medo surge da oposição entre a natureza coletiva do
risco residual (que não é completamente eliminado) e
a natureza individual da prevenção a cada instante de
trabalho.
III. Contra esse medo, os trabalhadores elaboram defesas
específicas. Quando são muito eficazes, praticamente
não se encontra mais nenhum traço de medo no
discurso do trabalhador. Portanto é necessário
procurar sinais indiretos, que são justamente esses
sistemas defensivos.
Assinale a alternativa correta.