“Sou de 1955. Tive o melhor de minha juventude antes
das Diretas Já. (...) Sou, sim, dos que viveram com segurança
e prosperidade aquele período. Confesso que tive foi medo das
Diretas Já, imaginando uma ruptura naqueles tempos bons que
vivia. Quanto a Tancredo Neves, o via como um jornal já bem lido
na política brasileira (...). De pronto, logo senti que ele não era
essa mudança toda que clamavam.”
(Depoimento de Francisco Luiz Nepomuceno, cearense, da cidade de Caridade.
IN: PRIORE, Mary Del. Histórias da Gente Brasileira. Volume 4. República.
Testemunhos (1951 – 2000). Leya, Editora Casa dos Mundos. 2019. p. 162.)
O depoimento, além de elogiar o regime autoritário, fala do caráter
conservador que assumiu a transição para a democracia no Brasil,
liderada por Tancredo Neves, após 21 anos de ditadura. Um dos
motivos que pode explicar corretamente esse conservadorismo
refere-se ao fato de: