Jocimar Daolio, em seu livro Educação Física e o Conceito de
Cultura, procurou discutir o conceito de cultura no campo da
educação física. Uma crítica que o autor faz ao tratar da abordagem
desenvolvimentista de educação física é a seguinte:
A a reflexão pedagógica deve estar pautada em um projeto
político-pedagógico que implique na leitura da realidade
social. Em uma sociedade dividida em classes sociais, a
educação física escolar deveria contribuir, não só para o
desenvolvimento motor, mas, também, para construção de
valores como solidariedade, cooperação, liberdade, etc.,
de tal forma que o esporte ao ser tematizado pela educação
física seja consequência do processo sócio-histórico e cultural
B pressupõe o envolvimento como sujeito da ação e que,
portanto, apresenta intencionalidade em seu “se movimentar".
O movimento humano teria, nessa concepção, estreita
relação com a intencionalidade do sujeito e com o sentido/
significado de sua conduta. Por outro lado, a relação homem/
cultura constrói o conjunto de significados que darão
sentido à realização e ao desenvolvimento desse movimento
humano
C tem sido enfatizado, como tarefa da educação física, o desenvolvimento
das habilidades motoras no contexto do jogo
e do brinquedo, desenvolvidas a partir do universo da
cultura da própria criança, garantindo, portanto, o desenvolvimento
de habilidades motoras sem impor às crianças
uma linguagem corporal que não lhe é familiar
D a dimensão cultural surge a partir de níveis biologicamente
determinados, os quais são postos, frequentemente, de modo
hierárquico como anteriores e básicos no processo de
desenvolvimento motor. Assim, a aquisição de padrões
consistentes de movimentos básicos permitirá que esses
sejam depurados e ajustados para que a criança possa
realizar formas de movimento mais específicas e amplas
oferecidas pela “cultura do movimento"