A escolha do modo ventilatório deve ser baseada em função da gravidade do paciente. Para
pacientes com insuficiência respiratória com assincronia, uma mudança de modo ventilatório
pode ser uma alternativa. Nos últimos anos, houve um aumento significativo do número
e da complexidade dos modos ventilatórios. Apesar de sua crescente disponibilidade, o
impacto clínico da utilização desses novos modos ainda é pouco estudado. Sobre o assunto,
assinale a alternativa INCORRETA.
A Deve-se usar os modos avançados em situações clínicas específicas, desde que o usuário esteja
familiarizado com seus ajustes e que o quadro clínico venha a se beneficiar dos recursos específicos
de cada modo.
B NAVA (Ventilação Assistida Ajustada
Neuralmente ou Neurally Adjusted
Ventilatory Assist): é um modo ventilatório
que captura a atividade elétrica do
diafragma e a utiliza como critério para
disparar e ciclar o ventilador, oferecendo
suporte inspiratório proporcional à atividade
elétrica do diafragma. Para funcionar, o modo
NAVA precisa que seja locado um cateter
esofagogástrico com sensores posicionados
no 1/3 distal do esôfago, capazes de captar a
atividade elétrica do diafragma. Em estudos
clínicos, o NAVA associou-se à melhora da
sincronia com o ventilador em comparação
com PSV. Indicações: para pacientes com
drive respiratório, apresentando assincronia
significativa em modo espontâneo, em
especial esforços perdidos em PSV, como
nos pacientes com Auto-PEEP (PEEP
intrínseca).
C Maior cuidado em pacientes com doenças
oronasais ou esofágicas que possam impedir
a passagem ou posicionamento adequado
do cateter de NAVA. Deve-se posicionar
e fixar bem o cateter de NAVA, com sua
posição sendo verificada periodicamente.
Após a fixação da sonda, iniciar a medida
de Edi (atividade elétrica do diafragma) e
ajustar o ganho de NAVA (“NAVA gain”) de
acordo com o VC, a frequência respiratória e
a Pressão nas vias aéreas (Edi x Nava gain).
O disparo do ventilador ocorre por variação
de 0,5 μV da Edi. A partir daí o ventilador
enviará fluxo livre em função da leitura da
Edi. A pressão máxima alcançada nas vias
aéreas será o resultado da multiplicação do
(Edi máximo – Edi mínimo) pelo Nava gain
somado ao valor da PEEP extrínseca. A
ciclagem ocorrerá com queda da Edi para
70% do pico máximo de Edi detectado.
D Volume controlado com pressão regulada
(PRVC, do inglês Pressure-Regulated
Volume-Control): é um modo ventilatório
ciclado a volume e limitado a tempo. A
cada ciclo, o ventilador reajusta o limite
de pressão, baseado no volume corrente
obtido no ciclo prévio até alcançar o volume
corrente alvo ajustado pelo operador.
É necessário indicar quando se almeja
controle do volume corrente com pressão
limitada, visando ajustes automáticos da
pressão inspiratória se a mecânica do
sistema respiratório se modificar. Deve-se
ter cuidado ao ajustar o volume corrente,
pois esse ajuste pode levar a aumentos
indesejados da pressão inspiratória.
E PAV (Ventilação Assistida Proporcional ou Proportional Assist Ventilation): é um modo espontâneo
que utiliza a equação do movimento para oferecer pressão inspiratória (Pvent) proporcional ao
esforço do paciente (Pmus). Caso o esforço do paciente se reduza, a ajuda do ventilador também
irá se reduzir. Alguns estudos mostraram melhor sincronia paciente-ventilador com o PAV e
sua versão mais recente, PAV plus, em comparação com PSV. O PAV plus estima o Trabalho
Ventilatório (WOB) do paciente e do ventilador mecânico, usando a equação do movimento e
calcula a Complacência e Resistência através da aplicação de micropausas inspiratórias de 300 ms
a cada 4-10 ciclos ventilatórios. Indicações: para pacientes com drive respiratório, apresentando
assincronia significativa em modo espontâneo, em especial PSV, quando se almeja conhecer o
WOB do paciente e medidas de mecânica durante ventilação assistida, como estimativa de PEEP
intrínseca em tempo real.