“Como viver até os 100’’
Ana Adelaide Peixoto
E “Os Segredos das zonas azuis”. Esse é o
título de um delicioso documentário, viajando pelo
mundo com o escritor Dan Buettner e descobrindo
cinco comunidades únicas, onde as pessoas têm
vidas muito longas e felizes e tem saúde até o fim da
vida. Nada de novo no front! Ou do que já sabemos.
Mas, outra coisa é ver tudo registrado. Entrevistas;
lugares lindos e as suas longevas pessoas.
Okinaya, no Japão; Sardenha, na Itália; Ikaria,
na Grécia; Nicoya na Cosa Rica; e Loma Linda, na
California-EUA, foram os lugares escolhidos, ou
melhor observados que tinham algo em comum, para
que se vivesse tanto e com tanta qualidade de vida.
De quebra ainda teve matéria em Singapura e numa
pesquisa aplicada especial na pequena comunidade
de Albert Lea, nos EUA, e o resultado em um ano foi o
aumento da expectativa de vida de seus habitantes,
o que pode indicar que seus resultados puderam, de
algum modo, ser comprovados.
Claro que a comida (vegetais, raízes, mel
ao invés do açúcar), outros ingredientes são vitais.
As pessoas trabalham muito e por menos tempo,
para que sobre tempo para o lazer. Andam muito.
Fazem coisas com as mãos, como jardinagem. Tem
um plano de vida, um propósito que os alimentam
ao acordar. Rituais sagrados diários para aliviar
o stress, as inflamações, e evitar a diabetes e o
câncer. Pensar em deixar algo para a posteridade,
conversar com amigos, a religiosidade, a fé. Tudo no
pacote. Bebem, mas fazem o seu próprio vinho. Em
Costa Rica colhem o seu feijão, o milho e o jerimum.
Em Loma Linda, tem muito voluntariado. Estar em
paz, cochilar, preocupação de pertencimento à uma
comunidade de fé; fazer happy hours. Tem até um
vocabulário específico para denominar a razão
que os fazem levantar pela manhã. Seus gostos
não funcionam todos os dias. Alimentos integrais
e naturais. E os carboidratos, contém substancias
outras, e se juntam ao milho, batata doce, verdes,
castanhas, chás. E comem pouco, até 80% da
saciedade.
Atitude, outra coisa importante. Comer com a
família, cuidar dos idosos, comem devagar, e comida
plantada por eles; e com moderação, conversam.
Como se conectar? Priorizam a família. Parceria,
amor, cuidar e amar. Círculo de amigos – investem a
vida toda. Ter os amigos certos! Para fazer as coisas
certas![...]
Singapura é um país inteiro de longevidade
saudável. Expectativa de vida mais alta do mundo. E
até outro dia era uma Vila de pescadores. Trabalhar
duro, ser honesto, ser humilde. Quem joga tênis,
vive mais (viu Teca e Anthony?). Políticas públicas
que melhora a vida das pessoas. Interações
ocasionais com porteiros e pessoais em geral.
Proporcionam pequenos povoados artificiais para
idosos. Com centro médico, praça de alimentação, e
promovem encontros. A solidão existe como função
do nosso ambiente. Sair para interagir com pessoas,
um remédio que se opõe ao sentar e assistir TV.
Não se consegue viver sozinho. Criar moradias
de proximidade, pais e filhos, o que se opõe
veementemente às Casas de Repousos, impessoais
e tristes. O investimento econômico de adesão gera
mais saúde e se constitui num benefício humano.
Setembro foi o mês Amarelo/Saúde Mental,
e vejo ao meu redor muita gente com depressão,
ansiedade, e outras doenças da alma. Nesse filme, e
a vida nesses lugares, todos os espaços do corpo e
do espírito são preenchidos com sabedoria. Comida,
descanso, pausa, tempo, diversão, comunhão,
compartilhamento, olhar ao outro, sono, trabalho,
propósito, destino, ritmo lento, e amor.
Eu que já estou quase dobrando outro
cabo da esperança, vivo a pensar na vida. Nas
realizações, nas faltas, nas conquistas, no tempo do
dia, nos prazeres, nos amigos, no social que falta,
no que sobra, nas recusas, nos filhos, e no bemestar deles, nas minhas responsabilidades, ou nas
ausências, mas principalmente no amor, aquilo que
nos define aqui e lá. Jovem ou velho. Nesta ou em
qualquer outra vida [...]
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