Ícone Questionei
QuestõesDisciplinasBancasDashboardSimuladosCadernoRaio-X
Logo Questionei

Links Úteis

  • Início
  • Questões
  • Disciplinas
  • Simulados

Legal

  • Termos de Uso
  • Termos de Adesão
  • Política de Privacidade

Disciplinas

  • Matemática
  • Informática
  • Português
  • Raciocínio Lógico
  • Direito Administrativo

Bancas

  • FGV
  • CESPE
  • VUNESP
  • FCC
  • CESGRANRIO

© 2026 Questionei. Todos os direitos reservados.

Feito com ❤️ para educação

/
/
/
/
/
/
  1. Início/
  2. Questões/
  3. Língua Portuguesa/
  4. Questão 457941200819044

No trecho ‘Ninguém que tivesse nome e figura de gente, toquei a finados pela Justiça porque a Justiça está morta’, no se...

1

457941200819044
Ano: 2021Banca: CESPE / CEBRASPEOrganização: SEFAZ-RRDisciplina: Língua PortuguesaTemas: Compreensão e Interpretação Textual | Uso de Letras Maiúsculas | Ortografia | Análise Textual
Texto associado

Texto CG1A1-I


    Começarei por vos contar em brevíssimas palavras um fato notável da vida camponesa ocorrido numa aldeia dos arredores de Florença há mais de quatrocentos anos. Permito-me pedir toda a vossa atenção para este importante acontecimento histórico porque, ao contrário do que é corrente, a lição moral extraível do episódio não terá de esperar o fim do relato, saltar-vos-á ao rosto não tarda.

    Estavam os habitantes nas suas casas ou a trabalhar nos cultivos quando se ouviu soar o sino da igreja. O sino ainda tocou por alguns minutos mais, finalmente calou-se. Instantes depois a porta abria-se e um camponês aparecia no limiar. Ora, não sendo este o homem encarregado de tocar habitualmente o sino, compreende-se que os vizinhos lhe tenham perguntado onde se encontrava o sineiro e quem era o morto. “O sineiro não está aqui, eu é que toquei o sino”, foi a resposta do camponês. “Mas então não morreu ninguém?”, tornaram os vizinhos, e o camponês respondeu: “Ninguém que tivesse nome e figura de gente, toquei a finados pela Justiça porque a Justiça está morta”.

    Que acontecera? Acontecera que o ganancioso senhor do lugar andava desde há tempos a mudar de sítio os marcos das estremas das suas terras. O lesado tinha começado por protestar e reclamar, depois implorou compaixão, e finalmente resolveu queixar-se às autoridades e acolher-se à proteção da justiça. Tudo sem resultado, a espoliação continuou. Então, desesperado, decidiu anunciar a morte da Justiça. Não sei o que sucedeu depois, não sei se o braço popular foi ajudar o camponês a repor as estremas nos seus sítios, ou se os vizinhos, uma vez que a Justiça havia sido declarada defunta, regressaram resignados, de cabeça baixa e alma sucumbida, à triste vida de todos os dias.

    Suponho ter sido esta a única vez que, em qualquer parte do mundo, um sino chorou a morte da Justiça. Nunca mais tornou a ouvir-se aquele fúnebre dobre da aldeia de Florença, mas a Justiça continuou e continua a morrer todos os dias. Agora mesmo, neste instante, longe ou aqui ao lado, à porta da nossa casa, alguém a está matando. De cada vez que morre, é como se afinal nunca tivesse existido para aqueles que nela tinham confiado, para aqueles que dela esperavam o que da Justiça todos temos o direito de esperar: justiça, simplesmente justiça. Não a que se envolve em túnicas de teatro e nos confunde com flores de vã retórica judicialista, não a que permitiu que lhe vendassem os olhos e viciassem os pesos da balança, não a da espada que sempre corta mais para um lado que para o outro, mas uma justiça pedestre, uma justiça companheira cotidiana dos homens, uma justiça para quem o justo seria o mais rigoroso sinônimo do ético, uma justiça que chegasse a ser tão indispensável à felicidade do espírito como indispensável à vida é o alimento do corpo. Uma justiça exercida pelos tribunais, sem dúvida, sempre que a isso os determinasse a lei, mas também, e sobretudo, uma justiça que fosse a emanação espontânea da própria sociedade em ação, uma justiça em que se manifestasse, como um iniludível imperativo moral, o respeito pelo direito a ser que a cada ser humano assiste.

José Saramago. Este mundo da injustiça globalizada.

Internet:<dominiopublico.gov.br> (com adaptações).

No trecho ‘Ninguém que tivesse nome e figura de gente, toquei a finados pela Justiça porque a Justiça está morta’, no segundo parágrafo do texto CG1A1-I, o vocábulo justiça está empregado com letra inicial maiúscula porque, nesse caso, há
Gabarito comentado
Anotações
Marcar para revisão
Reportar erro

Questões relacionadas para praticar

Questão 457941200180798Língua Portuguesa

Com base na estrutura e no vocabulário do texto precedente, julgue o item que se segue. No primeiro período do terceiro parágrafo, a palavra “onde”, q...

#Orações Subordinadas Adverbiais#Sintaxe#Morfologia dos Pronomes#Pronomes Interrogativos
Questão 457941200438593Língua Portuguesa

Ainda com relação aos aspectos linguísticos do texto 2A1-I, julgue o item subsequente. A forma verbal “tinha” foi empregada com o mesmo sentido nas du...

#Semântica Contextual#Análise Textual
Questão 457941200880599Língua Portuguesa

A partir das ideias veiculadas no texto 1A1-I, é correto inferir que

#Compreensão e Interpretação Textual#Análise Textual
Questão 457941201214742Língua Portuguesa

Com base nas ideias veiculadas no texto CG1A1-I, julgue o item a seguir.O texto informa que, antes da chegada dos europeus, as populações nativas dos ...

#Compreensão e Interpretação Textual#Análise Textual
Questão 457941201261895Língua Portuguesa

O adjetivo “extraordinária” (l.8) está empregado com o mesmo sentido que na seguinte frase: Hoje haverá plantão extraordinário. 8

#Morfologia#Adjetivos
Questão 457941201292175Língua Portuguesa

Julgue o próximo item, relativo a aspectos gramaticais do texto precedente.O segmento “Estar com aquela turma” (primeiro período) desempenha a função ...

#Análise Sintática#Sintaxe#Termos Essenciais da Oração
Questão 457941201469543Língua Portuguesa

Julgue se o trecho abaixo, adaptados de O Globo de 17/7/2012, estão corretos e adequados à língua escrita formal.Esclarecemos, ainda, que a situação l...

#Pontuação#Ortografia
Questão 457941201656148Língua Portuguesa

Feitas as devidas alterações nas letras maiúsculas e minúsculas e retirada a vírgula após “Na verdade” (l.2), esta expressão poderia ser deslocada par...

#Reescrita Textual#Análise Textual
Questão 457941201668039Língua Portuguesa

Acerca das ideias e das relações coesivas estabelecidas no texto CG3A1, julgue o próximo item.No último período do terceiro parágrafo, o segmento “nes...

#Sintaxe
Questão 457941201933014Língua Portuguesa

A partir de uma compreensão crítica e interpretativa do texto 20A1-I, julgue o próximo item.8 Infere-se do texto que a opinião da autora não é aderent...

#Compreensão e Interpretação Textual#Análise Textual

Continue estudando

Mais questões de Língua PortuguesaQuestões sobre Compreensão e Interpretação TextualQuestões do CESPE / CEBRASPE