Leia o texto atentamente:
A presença e a liderança feminina em Palmares surgem
descritas na “Relação das guerras feitas aos Palmares de
Pernambuco no tempo do governador d. Pedro de Almeida" —
uma memória sobre as incursões realizadas entre 1675 e 1678,
em que aparecem definições de “distintos Palmares”.
Acotirene e
Aqualtune, assim como as expressões “rainha”,
“fêmea” e “negras”, parecem resumir a presença feminina
palmarista. A preocupação das autoridades coloniais com as
mulheres em Palmares — apesar da pequena referência a nomes
próprios — está registrada nas polêmicas que surgiram sobre
como proceder com as prisioneiras. Considerava-se que, após a
captura, elas deviam ser exterminadas ou vendidas e mandadas
para bem longe. Caetano de Melo e Castro (1680-1718), ao dar
a notícia sobre o sucesso dos ataques a Palmares, em 1694,
destacou que as “negras fêmeas” e suas crias que “chegaram
a ter aquela liberdade” deveriam ser mesmo enviadas para fora
da capitania, senão todos ali ficariam “menos seguros pelo que a
experiência tem mostrado”.
Além de combaterem lado a lado com os homens, uma
série de mulheres exercia, com frequência, funções logísticas
significativas, transportando alimentos, pólvora e armamento,
bem como cuidando dos feridos. Se a história colonial silenciou
sobre seus nomes, não pode evitar falar de seus atos e papéis
dentro das comunidades palmarinas.
GOMES, Flávio, LAURIANO, Jaime & SCHWARCZ, Lilia. Enciclopédia Negra. São
Paulo: Companhia das Letras, 2021, pp. 25-26. (Adaptado)
O texto refere-se ao Quilombo dos Palmares, marco da
resistência dos escravizados entre 1597 e 1704 na América
Portuguesa, que chegou a agregar 20 mil pessoas. Ao enfatizar
as mulheres quilombolas, destaca: