À argumentação, por vezes evocada, de que nas instituições
de justiça os objetivos que norteiam a atuação do psicólogo
seriam diferenciados daqueles que surgem nos consultórios,
pode-se responder que certamente distintos campos de
trabalho apresentam objetivos próprios, constatação que não
afasta o profissional de suas obrigações éticas e de seu
instrumental de trabalho. Sobre a avaliação psicológica,
assinale a afirmativa incorreta .
A Deve-se sempre questionar "qual o objetivo psicológico do
trabalho a ser feito [ ... ]. Não se trata, simplesmente, de
perguntar como fazer ou quais instrumentos deve utilizar, mas,
antes de tudo, para quê", como indicado nas Referências
Técnicas para atuação do psicólogo em Varas de Família,
elaboradas pelo Crepop/CFP.
B Cuidado semelhante expressam Abelleira e Delucca (2004) ao
recomendar que no trabalho a ser executado no contexto da
justiça "[ ... ] é indispensável que atuemos diferenciando o que
podemos, devemos ou não devemos nem podemos fazer''.
C Entrevistas, testes, inventários, atividades lúdicas,
observação, escuta psicológica, são alguns dos
procedimentos utilizados por aqueles que realizam avaliações
que são encaminhadas à justiça. Atualmente, percebe-se que
vários psicólogos que atuam nessa área explicam que em seu
trabalho costumam usar apenas, ou com mais frequência, as
entrevistas e testes psicológicos.
D Algumas equipes que se ocupam de tarefas no contexto da
justiça incluíram em suas avaliações o trabalho com grupos,
como narraram Bloris, Coimbra e Moreira (2000) ao
explicarem sobre o denominado grupo de habilitação para
adoção. É sem dúvida a partir de informações como essas que
se pode recordar que, se o verbo avaliar possui como
sinônimos investigar e pesquisar, ao se falar em avaliação
psicológica não se pode desmembrar essa expressão, sob
risco de se deixar de lado toda a riqueza e especificidade que
ela contempla.
E Nota-se que o emprego deste ou daquele instrumento
dependerá do referencial teórico empregado por cada
profissional. Como assegura Miranda Júnior (2010) ao
examinar a atuação de psicólogos nas Varas de Família, "Não há procedimentos rígidos para a realização desses estudos".