Segundo o historiador Marcus Carvalho, alguns aspectos chamam a atenção na história social do Recife, na primeira metade dos oitocentos. Um deles é, sem dúvida, o ciclo das insurreições liberais, que se inicia com a Insurreição de 1817, passa pela Confederação do Equador em 1824 e termina com a Praieira em 1848.
(CARVALHO, Marcus Joaquim Maciel de. Rumores e rebeliões: estratégias de resistência escrava no Recife de 1817-1848.Tempo,Vol. 3
- n° 6, dezembro de 1998).
Sobre esses movimentos, é CORRETO afirmar que
A por serem insurreições liberais e essa doutrina não admitir a prática da escravidão, a abolição da escravatura e o fim do
tráfico atlântico de escravos foram uma das bandeiras defendidas por todos os seus líderes. Essa medida fez com que os
cativos pegassem em armas e lutassem contra as tropas reais.
B entre mortos e feridos, o saldo da Revolução Praieira foi de quase novecentas pessoas. Mas diferente das Insurreições 1817
e 1824, a Praieira não contou com a participação da "populaça". A presença das "classes perigosas" nas duas primeiras
insurreições liberais fez com que a repressão fosse muito maior. Os rebeldes de 1817 foram esmagados de tal forma que até
padres foram executados, algo inusitado no mundo colonial lusitano e que se repetiria em 1824.
C os descontentamentos resultantes da outorga da Constituição de 1817 pela corte foram claramente manifestados em
Pernambuco. Esse fato acabou insuflando as elites pernambucanas que proclamaram a república, adotando,
provisoriamente, a constituição estadunidense.
D alguns dos participantes da Insurreição Pernambucana de 1817 foram plantadores de algodão e cana, que circundavam o
quilombo do Catucá. Ali também viveram muitos dos plantadores, que estiveram envolvidos na Confederação do Equador.
Dessa forma, uma das consequências dessas insurreições foi a fuga de escravos para o referido quilombo.
E na década de 1840, havia duas facções competindo pelo poder na província de Pernambuco. O levante dos praieiros está
relacionado com as disputas entre esses dois grupos das elites locais pelo governo de Pernambuco, não existindo, assim,
nenhuma conexão com as disputas parlamentares na Corte.