Surdez: uma questão de diferença e identidade cultural
Por W. G. Almeida, 2006 (adaptado).
Para alguns estudiosos, os surdos e os mudos são
identificados e reconhecidos pela sociedade “ouvinte e
falante” a partir de atributos que não atendem aos interesses
da comunidade dos surdos ou da comunidade dos mudos.
A sociedade enxerga os surdos e os mudos como indivíduos
deficientes que devem ser curados ou “consertados” por
procedimentos neurocirúrgicos prometidos pela medicina,
seja na engenharia genética ou pela prevenção a doenças. A
surdez e a mudez, nessa óptica, são vistas como um mal a
ser combatido, como resultado da pobreza e das más
condições sanitárias, da falta de cuidados médicos, ou,
muitas vezes, como castigo e punição.
essa forma, os grupos de surdos e mudos têm sido
estigmatizados e excluídos da sociedade. Os surdos e os
mudos tornam-se desvalorizados, seja no seu universo
cultural, seja nas estratégias de sobrevivência, ou ainda
sobre seus valores e características de seu comportamento.
Suas formas de agir, de pensar, de comunicar, de sentir, de
dizer, têm sido negadas ao longo da história. Impôs-se a eles
um modelo que jamais poderiam alcançar: o padrão de ter
que ser o que não são, ou seja, serem iguais aos indivíduos
falantes e ouvintes.
Vê-se, assim, o menosprezo ao saber e à cultura dos surdos
e dos mudos.
Vê-se o não entendimento da surdez e da
mudez como particularidades legítimas que se localizam não
apenas no corpo, na boca, no ouvido, na audição, nas cordas
vocais, no cérebro, na patologia, mas que devem ser
entendidas ser como diferenças políticas e culturais .
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