Ícone Questionei
QuestõesDisciplinasBancasDashboardSimuladosCadernoRaio-X
Logo Questionei

Links Úteis

  • Início
  • Questões
  • Disciplinas
  • Simulados

Legal

  • Termos de Uso
  • Termos de Adesão
  • Política de Privacidade

Disciplinas

  • Matemática
  • Informática
  • Português
  • Raciocínio Lógico
  • Direito Administrativo

Bancas

  • FGV
  • CESPE
  • VUNESP
  • FCC
  • CESGRANRIO

© 2026 Questionei. Todos os direitos reservados.

Feito com ❤️ para educação

/
/
/
/
/
/
  1. Início/
  2. Questões/
  3. Língua Portuguesa/
  4. Questão 457941201514077

O uso do ponto-e-vírgula, no segundo parágrafo, pode ser justificado em:

1

457941201514077
Ano: 2010Banca: IPADOrganização: COREN-PEDisciplina: Língua PortuguesaTemas: Pontuação | Análise Textual
Texto associado

TEXTO 1

Publicidade e violência


A política, os direitos e a própria cidadania, transformados em mercadorias dentro da linguagem publicitária, não são mais a política, os direitos ou a cidadania, mas são versões mercadológicas da política, dos direitos e da cidadania. Essas versões mercadológicas, a exemplo de qualquer outra mercadoria, vendem-se a partir do desejo do consumidor de se tornar melhor que os outros. O Consumo toma impulso pela competitividade que a sociedade de consumo estimula entre os indivíduos. Assim como a mensagem política tenta garantir que votar em tal candidato significa ser mais bonito, mais moderno ( quem vota no outro candidato é menos bonito, menos moderno), um refrigerante se anuncia a partir da diminuição daquele que não o consome. E assim por diante: uma marca de cigarro é vendida zombando do homem que não fuma aquele cigarro e que, por isso, não consegue seduzir as mulheres; um automóvel se promove à medida que humilha quem anda de carro velho. É essa ordem extensa de fomentos para a competição que organiza a sociedade de consumo - e, a cada dia mais, é ela quem organiza a significação da vida humana. É sintomático que, quando alguém se descreve, quando alguém busca traduzir em palavras sua própria identidade, descreve normalmente mercadorias de sua preferência. Nas palavras de Canclini, "consumir é tornar mais inteligível um mundo onde o sólido se evapora". *

Há muito tempo já deixamos para trás a cultura do ser. Agora o que vai se formando é uma cultura um grau acima da tão denunciada cultura do ter. Forma-se a cultura do ter o que o outro não tem. Os bens de consumo retiram seu valor de um sentimento de exclusividade: é o cartão de crédito que dá uma identidade especial, sobretudo quando no hotel de Nova York já não pedem o passaporte, mas aquele cartão superespecial; o automóvel é tanto melhor quanto menos mortais possam comprá-lo; a roupa tem uma grife exclusiva. É bom pensar no que significa a palavra "exclusiva": ela significa exclusão, significa excluir o outro. Na raiz mesma do ato de consumir, dentro desse modelo, há um desejo de excluir o outro.

Há, portanto, na lógica da competitividade encorajada (e forjada) pela sociedade de consumo, uma visão preconceituosa do outro. Se o desejo de consumir é comum a todos ( os homens se identificam entre si à medida que consomem), o exercício do consumo existe para diferenciar os homens uns dos outros dentro da competição individualista e narcisista. O que interessa é ser melhor que o outro. O outro precisa ser necessariamente pior do que eu. Pois se o consumo dá sentido, e um sentido ritualizado à vida de todos, é por meio dele que o indivíduo se sente pertencente a um círculo de privilegiados. Nem que sejam os privilegiados por algumas migalhas: um carnê do baú, uma sandália, um retrato de um ídolo afixado do lado de dentro da porta do guarda-roupa.

O estímulo a tanta competitividade pode ser fatal. Em nossos dias, o desejo de possuir grifes (de tênis, jeans ou bonés) tem sido a motivação de assaltos e de latrocínios. Jovens que se veem expulsos do paraíso do consumo, segregados daquela "cidadania" que pode ser comprada pelo consumo, insurgem-se de forma violenta contra os privilegiados. Tomam à força o que o mercado não lhes permite adquirir dentro da lei. Depois do assalto, desfilam realizados, passeando com um par de tênis americano (made in Taiwan). A mesma publicidade que reforça a visão preconceituosa dos que podem consumir contra os que não podem acentua também a humilhação (ou o ódio) dos que não podem comprar em relação aos que esbanjam dinheiro. É por isso que, num artigo recente, o escritor uruguaio Eduardo Galeano aponta para a publicidade nos meios de comunicação, e na TV de modo especial, como uma das principais causas da violência nas grandes cidades.

--

*CANCINI, Nestor Garcia. Consumidores e cidadãos, conflitos multiculturais da globalização. Rio de Janeiro: Editora da UFRJ, 1995.p.59. BUCCI, Eugênia. Sociedade de consumo (ou o consumo do preconceito). ln: O preconceito (vários autores). Lerner, Júlio (Ed.). São Paulo: Imprensa Oficial do Estado, 1996/1997 p.48-49.


---

O uso do ponto-e-vírgula, no segundo parágrafo, pode ser justificado em:

Gabarito comentado
Anotações
Marcar para revisão
Reportar erro

Questões relacionadas para praticar

Questão 457941200017332Língua Portuguesa

As figuras de linguagem são recursos estilísticos da língua portuguesa. Diante desta afirmação, em que consiste a catacrese?

#Recursos Estilísticos#Análise Textual#Semântica Contextual
Questão 457941200409226Língua Portuguesa

A temática abordada nos textos 1 e 2 refere-se, respectivamente, aos aspectos:

#Análise Textual
Questão 457941200754197Língua Portuguesa

O termo SE, utilizado no primeiro quadrinho, pode ser classificado como:

#Análise Sintática#Análise Textual#Sintaxe
Questão 457941200992737Língua Portuguesa

Com efeito, a compreensão do fenômeno linguístico como atividade, como um dos fazeres do homem, puxou os estudos da língua para a consideração das int...

#Emprego da Vírgula
Questão 457941201105980Língua Portuguesa

Do ponto de vista temático, é correto afirmar que o Texto 1, ao responder à pergunta introdutória:

#Análise Textual
Questão 457941201168177Língua Portuguesa

Com efeito, a compreensão do fenômeno linguístico como atividade, como um dos fazeres do homem, puxou os estudos da língua para a consideração das int...

#Análise Textual#Sintaxe
Questão 457941201205061Língua Portuguesa

Ao considerar o gênero textual, pode-se afirmar que a intenção discursiva é;

#Tipos Textuais#Análise Textual
Questão 457941201390458Língua Portuguesa

Preencha, corretamente, os espaços em branco do texto abaixo, observando a concordância verbal e nominal. Beatriz e Mariana ________________(faz/fazem...

#Sintaxe#Concordância Verbal e Nominal
Questão 457941201718205Língua Portuguesa

No último período do texto, a introdução do discurso de um professor universitário representa

#Análise Textual
Questão 457941201952493Língua Portuguesa

Indique a alternativa cuja concordância nominal e verbal este em concordância com a norma culta da lingua portuguesa.

#Sintaxe#Concordância Verbal e Nominal

Continue estudando

Mais questões de Língua PortuguesaQuestões sobre PontuaçãoQuestões do IPAD