Em razão da “especificidade do texto literário”, nos PCNs*,
conclui-se que, “enraizando-se na imaginação e construindo
novas hipóteses e metáforas explicativas, o texto literário é
outra forma/fonte de produção/apreensão de conhecimento”.
Nesse documento, afirma-se ser “possível afastar uma série de
equívocos que costumam estar presentes na escola em relação
aos textos literários”, entre eles:
A “pensar sobre a literatura a partir dessa relativa autonomia
ante outros modos de apreensão e interpretação do real
corresponde a dizer que se está diante de um inusitado tipo
de diálogo, regido por jogos de aproximação e afastamento,
em que as invenções da linguagem, a instauração de pontos
de vista particulares, a expressão da subjetividade podem
estar misturadas a citações do cotidiano, a referências
indiciais e, mesmo, a procedimentos racionalizantes”.
B “romper os limites fonológicos, lexicais, sintáticos e
semânticos traçados pela língua: esta se torna matéria-prima (mais que instrumento de comunicação e expressão)
de outro plano semiótico – na exploração da sonoridade e
do ritmo, na criação e recomposição das palavras, na
reinvenção e na descoberta de estruturas sintáticas
singulares, na abertura intencional a múltiplas leituras pela
ambiguidade, pela indeterminação e pelo jogo de imagens
e figuras”.
C “tomá-los como pretexto para o tratamento de questões
outras (valores morais, tópicos gramaticais) que não
aquelas que contribuem para a formação de leitores
capazes de reconhecer as sutilezas, as particularidades, os
sentidos, a extensão e a profundidade das construções
literárias”.
D “tornar-se fonte virtual de sentidos, mesmo o espaço gráfico
e signos não verbais, como em algumas manifestações da
poesia contemporânea”.