Sobre os distúrbios hidroeletrolíticos e
seu diagnóstico, podemos inferir que:
I - Aumento do hiato aniônico é mais
comumente causado por acidose
metabólica em que ácidos com cargas
negativas — principalmente cetonas,
lactatos, sulfatos ou metabólitos de metanol,
etilenoglicol ou salicilatos — consomem (são
tamponados por) HCO3
−
. Outras causas de
aumento do hiato aniônico incluem
hiperalbuminemia ou uremia (aumento de
ânions) e hipocalcemia ou
hipomagnesemia (diminuição de cátions).
II - Diminuição do hiato aniônico não se
relaciona à acidose metabólica, mas é
causada por hipoalbuminemia (diminuição de
ânions), hipercalcemia, hipermagnesemia,
intoxicação por lítio e hipergamaglobulinemia
como ocorre no mieloma (aumento de
cátions), ou hiperviscosidade ou intoxicação
por haleto (brometo ou iodeto). O efeito da
concentração baixa de albumina pode ser
considerado, ajustando-se a hiato aniônico
2,5 mEq/L (2,5 mmol/L) para baixo para cada
queda de 1 g/dL (10 g/L) na albumina.
III -Intervalo de ânions negativo ocorre
raramente, como um artefato laboratorial nos
casos de hipernatremia grave,
hiperlipidemia e intoxicação por brometos.
IV - Diferença delta: a diferença entre o hiato
aniônico do paciente e o hiato aniônico
normal é denominado intervalo delta. Essa
quantidade é considerada um equivalente de HCO3
−
, porque para cada unidade de aumento
do hiato aniônico, o HCO3
− deve diminuir 1
unidade (por tamponamento). Assim, se for
acrescentada a diferença delta ao
HCO3
− medido, o resultado deve estar dentro
de valores normais de HCO3
−
; elevação indica
a presença adicional de uma alcalose
metabólica.