Daniel Gile (1995, 1997, 1999) afirma, que durante uma tarefa de interpretação simultânea, o intérprete
lida com quatro tipos de esforços distintos, a saber: esforço de compreensão, esforço de memória,
esforço de produção e esforço de coordenação.
Sobre o Modelo dos Esforços, é INCORRETO afirmar que
A O esforço de coordenação, como o próprio nome indica, é o esforço utilizado para coordenar todos
os outros três esforços envolvidos na tarefa de interpretação simultânea (compreensão, memória e
produção). O esforço de coordenação também é responsável pela orientação do foco atencional do
intérprete e sua distribuição do mesmo entre os outros três esforços.
B o esforço de produção pode ser entendido como todas as operações que o intérprete realiza, de
modo a produzir um texto de chegada na língua-alvo. Esse esforço vai desde o planejamento da
fala/sinalização até a execução desse planejamento. O intérprete deve, então, se basear em seus
conhecimentos linguísticos e extralinguísticos acerca da língua-alvo para realizar suas escolhas e
produzir um texto de chegada coeso e coerente.
C o esforço de compreensão consiste em todo o esforço realizado pelo intérprete para poder
compreender a mensagem, desde a fase de identificação das palavras utilizadas no discurso fonte
até a compreensão do significado global da mensagem. Durante sua atuação, o intérprete faz uso
de diferentes estratégias que podem auxiliá-lo a compreender mais prontamente e de forma mais
acurada o discurso na língua fonte.
D o esforço de memória compreende o esforço realizado pelo intérprete para reter informações pelo
período conhecido como tempo de espera (lag time) . Em termos estratégicos, não há nada que o
intérprete possa fazer para lidar com as limitações de sua capacidade de memória, uma vez que
esse profissional estará sempre sujeito a pressões do tempo, ditadas pelo ritmo de fala/sinalização
do discurso fonte.