As primeiras duas décadas do século XX testemunharam
transformações nas cidades brasileiras em uma escala e em um
ritmo até então sem precedentes: altas taxas de crescimento
populacional nas principais capitais pressionavam a demanda por
habitação e serviços urbanos; a prosperidade proporcionada pelo
café trazia benefícios materiais e novos padrões de consumo para
alguns segmentos da população, mas as estruturas urbanas,
em sua maioria herdadas do período colonial, não se coadunavam
com as expectativas de uma sociedade que se urbanizava em
passo acelerado, embora sustentada por uma economia
agroexportadora de valores arraigadamente rurais. As cidades
transformavam-se nas plataformas rumo ao mundo moderno, isto
é, em busca de um nível de vida à maneira das grandes
metrópoles europeias ou norte-americanas.
Hugo Segawa. Arquiteturas no Brasil 1900-1990.
São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 214, p. 22 (com adaptações).