Segundo Davel e Vergara (2001), existe uma dinâmica subjetiva entre masculinidade e feminilidade (com consequências) nos
jogos emocionais que são cotidianamente experimentados nas organizações. Emoção e gênero fazem parte das competências
sociais das pessoas, e, portanto, são processos-chave para sustentar qualquer tipo de mudança organizacional em profundidade.
Estar consciente e atento às emoções tal como elas se exprimem no conjunto de referências masculinas e femininas que
permeiam a vida corriqueira das organizações mostra nossos limites, ao mesmo tempo em que nos habilita a ter sucesso em
nossas relações e ações profissionais. Acerca da questão da subjetividade da emoção e do gênero nas organizações, assinale a
alternativa incorreta .
A A Teoria da Estruturação desenvolvida por Anthony Giddens pode fornecer um corpo de conhecimento útil para a
compreensão da subjetividade nas organizações, visto que tal abordagem permite compreender como a experiência social
do agente é construída no decorrer das interações, entre outras, por meio do corpo e de processos emocionais que estão
no centro dos diversos encontros cotidianos.
B As emoções verificam-se ser da ordem das causas e não das razões da ação. Assim, é necessário representá-las como sendo
intrínsecas à pessoa, muito mais do que apenas relacionais. Sendo assim, as emoções são características individuais, e não
são propriedades de sua ação. Assim, as emoções são difíceis de representar e definir, dado que são, por sua vez, latentes e
dinâmicas, resultado do passado e expressão do presente.
C As organizações mantêm-se através do tempo, entre outros motivos, porque elas estão, subjetivamente, ancoradas na
reprodução social da masculinidade e da feminilidade. O gênero é a manifestação primeira das relações de poder tanto nos
conjuntos organizados quanto na sociedade. Assim, o gênero age como modalidade de estruturação do conjunto de
relações sociais por meio de múltiplos repertórios.
D Desde a década de 1990, a temática das pessoas, bem como daquilo que elas vivenciam nas organizações, tonou-se tema
central tanto nos periódicos acadêmicos, como na imprensa especializada em negócios empresariais. Grande parte desse
discurso induziu à ideia de que as pessoas são um trunfo estratégico maior. Por mais inverossímil que isso possa parecer,
sabemos ainda poucas coisas sobre a subjetividade dos seres humanos e a maneira pela qual eles constituem-se como
sujeitos nas organizações. Dispomos de poucos pontos de referência para compreender o EU como lugar de produção e
reprodução de uma subjetividade ancorada nas emoções e no gênero.
E Entende-se por repertório de gênero a forma relacional que toma a expressão da masculinidade ou da feminilidade e que,
por meio da energia emocional que comporta, estrutura as relações sociais que os agentes dinamizam cotidianamente. Os
diferentes repertórios, de um ponto de vista subjetivo, contribuem para canalizar positiva ou negativamente a emoção, até
mesmo a energia que é necessária para a performance nas interações.