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REIS MAGOS
No tempo em que o Brasil era um garoto malcriado e chorão, foi que vieram os três reis magos: o branco, o vermelho e o preto.
Traziam ao menino os mimos de Natal, que ele aceitou risonho, batendo palmas contentes.
Veio primeiro o rei vermelho.
Carregava belas plumas de cores ricas, um lindo bodoque pintado com o sangue do urucu, e uma rede feita de fio de malva, macia e sarapintada de grandes franjas pendentes.
Depois, muito depois, no outro Natal creio eu, chegou o rei branco.
Vinha de muito longe, numa caixa de madeira que tinha grandes asas de pano, e que corria ligeira, trepada nas costas do mar.
Esse trouxe muitas coisas engraçadas: um mosquetão que trovejava, vomitando fogo certeiro e perverso; roupagens esquisitas de veludo e rendões que o menino nunca aprendeu a vestir; e trouxe mais dois paus encruzados, tristonhos e sinistros, que, dizia o rei branco, eram a chave de uma felicidade muito distante e quase inatingível.
O rei preto era mesquinho e sorumbático.
Nos seus olhos molhados, na surda língua inexpressiva e rude, chorava a amarga saudade de cativo.
O rei branco, brutal e ambicioso, deixou de lado os bons modos e avançou nos brincos que o rei sombrio dera ao garoto.
E o pobrezinho ficou a chorar, com saudade de suas barras douradas e das pedrinhas coruscantes, lamentável e explorado, ludibriado por aquela astúcia tão fina e vencido por aquela força tão bruta.
E nunca mais viu os brinquedos custosos, cavados penosamente do chão avarento...
O rei vermelho, enjoado do menino, hostil ao rei branco, desdenhoso do rei preto, deitou-se na grande rede de franjas vistosas, adormeceu e tarda tanto a acordar que todo o mundo diz que ele já morreu...
No texto acima, a autora reelabora a tradição do Dia de Reis, a partir de uma alegoria em que o Brasil representa o Menino Jesus. Assinale a alternativa que apresenta o modo de representação dos reis magos.