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O fogo já chegou
Em junho de 2020, foram registrados 2.248 focos de calor na Amazônia, o maior número de focos no mês desde 2007. Em relação ao mesmo mês do ano passado (2019), isso representa um aumento de 19,57%, quando foram registrados 1.880 focos de calor.
O aumento ocorre apesar do recente decreto federal nº 10.341/2020 que autoriza o emprego das Forças Armadas na Garantia da Lei e da Ordem (GLO) na Amazônia Legal e subordina o Ibama e ICMBio ao Exército. Essa operação tem custado milhões aos cofres públicos e seus resultados são pouco expressivos, como mostra o aumento nos focos de calor.
Ao mesmo tempo em que um grande orçamento é destinado à GLO, alguns órgãos ambientais que atuam de forma estratégica, com experiência e apoiados na ciência, vêm sofrendo redução drástica de autonomia, pessoal e orçamento, impactando fortemente suas operações de fiscalização, fundamentais para o combate ao desmatamento.
“Com o início da temporada seca e com o fogo batendo à porta, o quadro que vem se desenhando é catastrófico em muitos sentidos. Tanto pela quantidade de árvores que estão sendo tombadas por conta dos incêndios, o que pode levar à morte animais e colocar em risco uma riquíssima biodiversidade, como pelo agravamento da vulnerabilidade das populações da Amazônia à Covid-19”, afirma Romulo Batista, da campanha Amazônia do Greenpeace Brasil.
As queimadas contribuem simultaneamente para as crises do clima, da biodiversidade e de saúde que estamos vivendo hoje. O Brasil precisará fazer muito mais se quiser detê-las, fortalecendo os órgãos de controle, com planos permanentes e metas claras, e não por operações pontuais, custosas e ineficientes. Apontada pelo governo como a bala de prata para resolver os problemas ambientais, a GLO vem se mostrando claramente insuficiente desde o primeiro mês e, mesmo assim, teve seu prazo estendido até julho de 2020.
I. Existem alguns órgãos ambientais que atuam de forma estratégica no combate ao desmatamento na Amazônia, embora suas ações não estejam apoiadas na ciência, afirma o texto.
II. Com o início da temporada seca e com o fogo batendo à porta, o quadro que vem se desenhando a respeito do desmatamento é catastrófico em muitos sentidos, de acordo com as informações do texto.
III. Operações pontuais, custosas e ineficientes têm sido suficientes e adequadas para deter as queimadas na Amazônia, de acordo com o texto.
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