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Carcinoma anaplásico da tireoide
Por VALENTE et al. (trecho de artigo adaptado).
Os tumores da tireoide são neoplasias raras (representam cerca de 2,5% de todas as neoplasias) mas que têm aumentado de frequência. De acordo com o grau de preservação do fenótipo da tireoide, eles são classificados em carcinomas bem diferenciados (como os carcinomas papilar e folicular), carcinomas pouco diferenciados e carcinomas indiferenciados (carcinoma anaplásico). Considera-se atualmente que a patologia tumoral da tireoide constitui um espectro de diferenciação que se inicia no tireócito normal e envolve a desdiferenciação progressiva desta célula por mutações cumulativas e alterações epigenéticas em diversas vias de sinalização (1,2).
O carcinoma anaplásico da tireoide (CAT), sendo o mais letal desse grupo (responsável por 50% das mortes devido a tumor da tiroide), é felizmente o mais raro (1-2% dos tumores da tiroide) e com tendência a diminuir de incidência, graças ao melhor tratamento dos tumores diferenciados da tireoide e à diminuição da prevalência de bócio multinodular. O carcinoma anaplásico da tireoide é mais comum após os 60 anos, em indivíduos do sexo feminino, em doentes com história de patologia da tireoide prévia e em zonas de bócio endémico (1,6,7).
As células indiferenciadas do CAT têm uma proliferação celular muito aumentada e resistência à apoptose que permitem um crescimento tumoral muito rápido e grande capacidade de invasão – as metástases cervicais e pulmonares são muito frequentes, bem como a invasão de estruturas adjacentes (1). Assim, ao contrário dos carcinomas bem diferenciados cujo curso é relativamente indolente e o tratamento atual capaz de curar a maior parte dos doentes, o aparecimento súbito e crescimento explosivo do carcinoma anaplásico da tireoide implica o envolvimento precoce de uma equipa multidisciplinar para garantir o melhor cuidado ao doente. Mesmo com o melhor tratamento possível, o prognóstico do CAT é mau e a sobrevida média ronda os 5-6 meses após o diagnóstico, independentemente do estádio (2).
Os tumores pouco diferenciados e os anaplásicos são intrinsecamente resistentes à terapia com iodo radioativo (I131) e quimioterápicos convencionais (1). No entanto, a última década trouxe-nos avanços notáveis na caraterização genômica e molecular do CAT, possibilitando a exploração de novos fármacos para o controlo da doença.
(VALENTE, Miguel F.; CAPELA-COSTA, João. Carcinoma anaplásico da tireoide: tendências atuais e perspectivas futuras. Rev. Port. Cir., Lisboa, n. 41, p. 29-39, jun. 2017.)
Leia o texto 'Carcinoma anaplásico da tireoide' e, em seguida, analise as afirmativas abaixo:
I. Após a análise do texto, é possível concluir que o carcinoma anaplásico da tireoide apresenta tendência a diminuir de incidência, graças ao melhor tratamento dos tumores diferenciados da tireoide e à diminuição da prevalência de bócio multinodular.
II. Os carcinomas bem diferenciados apresentam curso relativamente indolente e o tratamento atual é capaz de curar a maior parte dos doentes, como se pode concluir a partir da leitura cuidadosa das informações do texto.