///
O complexo esclerose tuberosa (TSC) é um distúrbio genético raro caracterizado pela presença de múltiplos tumores benignos em vários órgãos e sistemas, como cérebro, rins, coração, pulmões, olhos, fígado e pele. É causado por mutações no TSC1, localizado no cromossomo 9, ou no TSC2, localizado no cromossomo 16, genes que codificam hamartina e tuberina, respectivamente. O complexo hamartina-tuberina regula o crescimento e a proliferação celular por meio da inibição da proteína alvo da rapamicina em mamíferos (mTOR). Mutações nesses genes resultam na ativação da mTOR, levando à proliferação celular descontrolada e ao desenvolvimento de hamartomas em vários órgãos (23). A incidência estimada dessas mutações em nascidos vivos varia de 1:5.000 a 1:10.000 (24,25).
O padrão de herança dessa mutação é autossômico dominante, com penetrância quase completa. A prevalência de mutações em TSC2 e TSC1 é semelhante nos casos familiares, enquanto as mutações em TSC2 são mais frequentes em casos esporádicos. Em 10-15% dos casos, a mutação em TSC2 e TSC1 não é identificada, principalmente quando ocorre em regiões não codificadoras ou por conta de mosaicismo (23,25).
Há uma grande variedade de fenótipos de TSC em termos de manifestações clínicas, idade de início e número e gravidade das lesões. Embora nenhuma correlação genótipo-fenótipo tenha sido estabelecida, mutações no TSC2 foram associadas a manifestações mais graves (26). Achados neurológicos, dermatológicos e renais figuram entre os mais comuns. Pacientes pediátricos e adultos apresentam risco aumentado de malignidade, particularmente no cérebro, rins e partes moles (23).
O diagnóstico de TSC é baseado em critérios clínicos. A presença de dois sinais principais ou um principal e dois menores é necessária para o diagnóstico. A idade de início das manifestações clínicas varia. Rabdomiomas se desenvolvem durante a vida fetal, enquanto fibromas ungueais aparecem na adolescência e na idade adulta (23,25). Embora não seja necessário para o diagnóstico, o teste molecular é útil no aconselhamento genético e para confirmar a suspeita de TSC em pacientes que não satisfazem os critérios diagnósticos. Juntamente com o histórico clínico e o exame dermatológico e neurológico cuidadoso, estudos de imagem podem ser indicados para identificar lesões e avaliar sua progressão. Biópsia renal pode ser necessária em alguns casos.
Leia o texto 'Complexo da esclerose tuberosa' e, em seguida, analise as afirmativas abaixo:
I. As informações presentes no texto permitem inferir que o complexo hamartina-tuberina regula o crescimento e a proliferação celular por meio da inibição da proteína alvo da rapamicina em mamíferos (mTOR).
II. Após a análise do texto, é possível concluir que em 10-15% dos casos, a mutação em TSC2 e TSC1 não é identificada, principalmente quando ocorre em regiões não codificadoras ou por conta de mosaicismo.