///
ENDOSCOPIA DIGESTIVA ALTA COM SOLUÇÃO DE LUGOL
Por TINCANI et al. (trecho de artigo adaptado).
Os tumores malignos da região de cabeça e pescoço são neoplasias que apresentam alta incidência na população brasileira, principalmente os localizados em cavidade oral (3, 6, 23). Os fatores etiológicos desses tumores estão, na maioria dos casos, ligados aos hábitos de etilismo e tabagismo e seus portadores são tidos como grupos de risco para desenvolver uma segunda neoplasia, tanto sincrônica como metacrônica ao tumor primário. Entre as regiões alvos de um segundo tumor primário, as mais frequentes são as localizadas no trato aerodigestivo alto, como o esôfago (14, 15, 16, 21).
Diante de doente portador de tumor primário em região de cabeça e pescoço, é de extrema importância o diagnóstico precoce de provável segundo tumor primário, visando-se melhor prognóstico e, portanto, o aumento da sua sobrevida.
A indicação rotineira da endoscopia digestiva alta e outros métodos com imagem tem tornado possível esse diagnóstico. Porém, a acurácia desses exames melhora muito quando se usam artifícios técnicos, que propiciam maior chance para se diagnosticar precocemente essas prováveis lesões, principalmente em esôfago, onde áreas diminutas ou planas são difíceis de ser bem examinadas.
A solução de Lugol a 2%, instilada na luz esofágica com a finalidade de identificar áreas de mucosa suspeitas de neoplasias ou passíveis de transformação maligna, permitindo a realização de biopsias dirigidas, tem sido preconizada por vários autores (1, 4, 7, 17, 18, 22, 25).
O uso da solução de Lugol como corante para diagnóstico precoce de câncer foi primeiro utilizado por SCHILLER (13), em 1933, no colo do útero. O autor relatou que o epitélio normal do colo uterino, cuja camada superficial contém glicogênio, pode ser corado com uma solução de Lugol, adquirindo um aspecto escuro. Contudo, diante de processos patológicos o epitélio não se corou, permanecendo claro, o que foi denominado como área iodo-clara. A biopsia da área, na grande maioria das vezes, leva ao diagnóstico anatomopatológico da lesão.
(TINCANI, Alfio José et al. A importância da endoscopia digestiva alta com solução de Lugol no diagnóstico de câncer superficial e displasia em esôfago de doentes com neoplasias de cabeça e pescoço. Arq. Gastroenterol., São Paulo, v. 37, n. 2, p. 107-113, Apr. 2000.)
Leia o texto 'ENDOSCOPIA DIGESTIVA ALTA COM SOLUÇÃO DE LUGOL' e, em seguida, analise as afirmativas abaixo:
I. De acordo com as informações do texto, pode-se concluir que o uso da solução de Lugol como corante para diagnóstico precoce de câncer foi primeiro utilizado por SCHILLER, em 1933, no colo do útero.
II. As informações presentes no texto permitem concluir que SCHILLER, em 1933, relatou que o epitélio normal do colo uterino, cuja camada superficial contém glicogênio, pode ser corado com uma solução de Lugol, adquirindo um aspecto escuro.