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Tratamento da hipertensão intracraniana
Por GIUGNO et al. (trecho de artigo adaptado).
A hipertensão intracraniana (HIC) é uma condição clínica que acomete muitos pacientes em unidades de tratamento intensivo (UTI), tendo como origem diferentes anormalidades, tanto do sistema nervoso central como sistêmicas. A HIC é uma das causas mais comuns de lesão cerebral secundária em crianças (1). A correlação da HIC com a morbimortalidade nos pacientes pediátricos justifica a busca de uma melhor compreensão da fisiopatologia, levando, consequentemente, à maior adequação no tratamento (2).
O correto tratamento da criança com HIC exige monitorização contínua da função cerebral através de parâmetros clínicos associados a recursos tecnológicos. O exame clínico nem sempre fornece informações suficientes para dimensionar o grau de HIC, e alguns dos métodos disponíveis para esta avaliação também exigem que o profissional os utilize com cautela (3-6). A monitorização da pressão intracraniana (PIC) é o único método aceito indiscriminadamente como forma para o diagnóstico seguro do aumento da pressão intracraniana, assim como para o tratamento da HIC em algumas situações clínicas (7).
Existem alguns conceitos já bem definidos em relação ao tratamento da HIC, enquanto outros aspectos continuam sendo motivo de controvérsias (8,9).
QUADRO CLÍNICO
No exame físico inicial, enfoca-se uma breve avaliação do estado neurológico, incluindo o nível de consciência e o exame pupilar. A suspeita de trauma cervical sempre está presente no TCE grave.
Os achados clínicos nos pacientes com HIC variam desde situações com exame neurológico normal até aquelas em que há sinais inequívocos de comprometimento do SNC. Em lactentes com HIC, o aumento progressivo do perímetro cefálico pode ser o único achado. O quadro clínico depende da velocidade de instalação da hipertensão e da capacidade de acomodação do volume intracraniano dentro da calota craniana (2,3).
Na criança consciente, podem surgir queixas como cefaleia, vômitos, diplopia, cegueira episódica e movimentos desconjugados intermitentes. A tríade de Cushing, caracterizada por bradicardia, bradipneia e hipertensão arterial pode não estar presente em crianças (2). A escala de Coma de Glasgow fornece um guia para avaliação destes pacientes.
Havendo aumento da pressão em um dos hemisférios cerebrais, poderá ocorrer herniação uncal; se o aumento da pressão acontecer em ambos os hemisférios cerebrais, a consequência será herniação central (2).
A história é componente importante na avaliação inicial da gravidade do trauma craniano na criança. A idade do paciente, a determinação da altura da queda, o mecanismo do impacto, assim como a evolução dos sinais e sintomas desde o incidente, como o nível de consciência (sonolência, letargia, coma), a presença de sinais neurológicos focais, a ocorrência de crise convulsiva e a presença de cefaleia auxiliam na determinação dos riscos do TCE. A perda da consciência, isoladamente, é um pobre índice prognóstico (10).
(GIUGNO, Katia M. et al. Tratamento da hipertensão intracraniana. J. Pediatr. (Rio J.), Porto Alegre, v. 79, n. 4, p. 287-296, Aug. 2003.)
Leia o texto 'Tratamento da hipertensão intracraniana' e, em seguida, analise as afirmativas abaixo:
I. De acordo com as informações do texto, pode-se inferir que, em lactentes com HIC, o aumento progressivo do perímetro cefálico pode ser o único achado.
II. A monitorização da pressão intracraniana (PIC) é o único método aceito indiscriminadamente como forma para o diagnóstico seguro do aumento da pressão intracraniana, conforme sugere o texto.
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