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Acredito no potencial do Brasil. Vejo muito talento espalhado por aí, muitas pessoas querendo fazer as coisas direito. Encontram, porém, muitos obstáculos no caminho. A começar por essa mentalidade fatalista e a cultura da malandragem. Há tanto tempo dando com os burros n’água, os brasileiros decentes cansaram. Alguns desistiram. E isso é muito preocupante.
De tantas coisas que precisam mudar, eis uma das mais importantes: essa tolerância com o inaceitável, o que o cineasta José Padilha, morando na Califórnia, chamou de “perda de sensibilidade para o absurdo”. Hannah Arendt falava da “banalidade do mal” para se referir ao nazismo. Temos de falar dessa “banalização do absurdo”. Não podemos engolir como normal o escárnio, o descaso escancarado. Ainda vejo muita gente indignada, sem dúvida. Mas é inegável que, em termos gerais, suportamos o inadmissível.
(Adaptado de Gazeta do Povo, 28/04/2016)
O verbo sublinhado possui ideia completa, classificando-se como intransitivo, no seguinte período – textos adaptados de Gazeta do Povo, em 28/04/2016: