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O texto abaixo servirá de base para responder as questões de 21 a 30.
As outras sequelas da covid-19
O impacto da pandemia na vida cotidiana transforma rotinas anteriores em luxos, privilégios e objetos de desejo. A infecção causa medos e altera os modelos de relações sociais, de trabalho e até sexuais
RAÚL LIMÓN
30 JAN 2021 - 16:22 BRT
"A vida não pode ser trabalhar a semana toda e ir ao supermercado aos sábados. Não pode ser isso. Essa vida não é humana", disse, antes da pandemia, o paleoantropólogo Juan Luis Arsuaga, em uma entrevista amplamente divulgada. No livro La Vida Cotidiana em Tempos de la Covid (Editora Catarata, 2021), o doutor em Antropologia Social e professor da Universidade Pablo de Olavide, Alberto del Campo, reuniu uma dezena de estudos que permitem questionar essa afirmação ao mostrar como essas rotinas faziam parte da vida e como suas limitações por causa da covid-19 resultaram em consequências inesperadas, a tal ponto que esse cotidiano se tornou algo desejado, privilégio ou objeto de desejo. Funcionários que sonham em retornar ao trabalho, mães trabalhadoras sobrecarregadas com o desmantelamento de suas redes de apoio, jovens que mudam suas formas de lidar com as relações sexuais e afetivas ou pessoas que querem se levantar sem medo todas as manhãs são apenas exemplos das outras sequelas da pandemia.
"Para além do número de doentes, mortos ou desempregados, a pandemia implica também uma crise na vida cotidiana, nas nossas formas de nos relacionarmos, nos comunicarmos, nos divertirmos, de viajar, estudar, dividir as tarefas domésticas, enfim, como somos, pensamos, sentimos e agimos no dia a dia", afirma Del Campo.
O antropólogo social percebeu essa realidade e pediu a colaboração de especialistas da sua área e de outras afins para dar luz a circunstâncias que estão soterradas pela emergência do dia-a-dia, mas que são relevantes e, em sua opinião, farão com que a sociedade que surgir após esta crise seja diferente.
Essas são algumas das principais sequelas da pandemia, de acordo com os estudos reunidos pelo antropólogo, que conclui: "O coronavírus não é apenas um agente de impacto, mas também um ativador, um gatilho para mudanças".
A respeito da progressão temática do texto, é CORRETO afirmar que se dá a partir das seguintes palavras: