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Nos últimos anos, temos visto em nosso país uma tentativa maniqueísta de partir a sociedade entre "nós" e "eles". O afastamento entre bem e mal, bom e ruim, criou uma realidade ilusória em diversos setores. Na saúde, essa dualidade se materializa na ruptura entre público e privado. O que isso significa? Que existe um embate ideológico entre grupos que pensam que a saúde, para ser boa e adequada, deve ter origem pública e estatal. Outros defendem que a assistência apropriada só pode ser privada e privatizada.
Aparentemente, ambos os julgamentos sustentam enganos. A sociedade caminha para um ambiente em que projetos e propostas colocam o cidadão no centro das intenções e das atenções. Assim, não importa a natureza da prestação do serviço, desde que exista um ambiente de acolhimento, qualidade, equidade e honestidade.
Existe no Brasil o mito, ou o devaneio, de que a assistência privada é superior à pública. E de onde vem essa mentalidade? Da constatação de que o agente público prestador do serviço muitas vezes não consegue manter parâmetros assistenciais independentes de orientações ideológicas. Muitas vezes, coloca-se em primeiro lugar na defesa de suas vontades e necessidades e, com isso, alimenta a deficiente percepção sobre quem é, de fato, o cliente. Somente quando o Estado fizer valer o direito à saúde como um bem fundamental do cidadão é que as barreiras — ideológicas, territoriais ou tecnológicas — se quebrarão. E já não existirá mais "nós" e "eles".
(Adaptado de Gazeta do Povo, 17/02/2016)
Em relação à pontuação do Texto, assinale a alternativa correta: