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Crise de fertilidade masculina
"Nós podemos tratar de você. Não há problema. Podemos ajudá-la", disse o médico a Jennifer Hannington. Ele se voltou para o marido dela, Ciaran, e disse: "Mas não podemos fazer muito por você".
O casal deseja um bebê há dois anos. Eles sabiam que a concepção poderia ser difícil porque Jennifer sofre da síndrome de ovário policístico, uma condição que afeta a fertilidade. O que eles não esperavam é que também houvesse problemas no lado de Ciaran.
Exames revelaram baixa contagem de espermatozoides e baixa motilidade espermática. E, o que é pior, o tratamento destas condições é mais difícil que o de Jennifer - em alguns casos, até impossível.
Ciaran Hannington ainda se lembra da sua reação: "Choque. Luto. Fiquei em total negação. Achei que os médicos tivessem se enganado". Ao longo dos anos, sua saúde mental deteriorou-se. Ele começou a passar mais tempo sozinho, ficando na cama e recorrendo ao álcool em busca de conforto. Até que surgiram os ataques de pânico.
A infertilidade masculina é responsável por cerca de metade dos casos de infertilidade e afeta 7% da população masculina. Mas é muito menos discutida do que a infertilidade feminina, em parte, devido aos tabus socioculturais existentes. Para a maior parte dos homens com problemas de fertilidade, as causas ainda são inexplicadas e a estigmatização significa que muitos deles sofrem em silêncio.
Pesquisas indicam que este é um problema crescente. Já se demonstrou que diversos fatores, como a poluição, afetam a fertilidade dos homens e, especificamente, a qualidade dos espermatozoides. Potencialmente, este crescimento traz imensas consequências para os indivíduos e para toda a sociedade.
Outras pesquisas demonstram os prejuízos à fertilidade causados por substâncias encontradas em plásticos, nos medicamentos domésticos, na cadeia alimentar e no ar. Elas prejudicam os homens, as mulheres e os bebês. Fuligem e produtos químicos já foram encontrados em bebês no útero.
As mudanças climáticas também prejudicam a fertilidade masculina. Diversos estudos em animais indicam que os espermatozoides são, especialmente, vulneráveis aos efeitos do aumento das temperaturas. Já se demonstrou que ondas de calor causam prejuízos aos espermatozoides em insetos e impactos similares foram observados em seres humanos. Um estudo de 2022 concluiu que o calor - devido ao aquecimento global ou durante o trabalho em ambientes de alta temperatura - prejudica a qualidade dos espermatozoides.
Cientistas estão a descobrir o que pode causar a queda da qualidade dos espermatozoides que parece ocorrer em todo o mundo. E, entre outros fatores, o meio ambiente tem a ver com isso.
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