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Incomoda muita gente? Conviver é uma lição que se aprende no decorrer da vida. São os atos de educação e gentileza que tornam melhores os dias e o lugar onde estamos Bruna Fasano Somos 7 bilhões de pessoas circulando pelo mundo. Cada uma com seu ritmo, seu passo, indo e vindo. E, nesse vaivém, nos esbarramos, nos encontramos e compartilhamos os espaços com pessoas que nunca vimos. Aos poucos, ruas, ônibus e filas parecem ser um desafio. Em meio a tanta gente apressada, como respeitar o próximo e se fazer respeitar? Onde colocar as palavras de boa educação e as atitudes de solidariedade que tornam o dia a dia menos árido? Beatino Brito da Silva, de 79 anos, descobriu que o segredo é saber conviver com quem é diferente de nós. E ajudar sempre que possível. Em São Miguel Paulista, bairro de São Paulo, onde mora, os vizinhos sabem que podem contar com ele. “Pedem para consertar um chuveiro quebrado, um cano entupido e percebem que faço com amor, pelo prazer de conviver bem. Quem sabe um dia eu também não precise de ajuda?”, diz. Alfaiate desde os 15 anos, Beatino também gosta de consertar roupas usadas, que, com pequenos ajustes, são doadas a quem precisa. “Já refiz um vestido de noiva para uma moça que sonhava casar-se na igreja. Como ela não podia pagar um modelo novo, peguei o vestido emprestado da minha filha e ajustei. Foi uma felicidade vê-la subir ao altar”, lembra o aposentado. “São essas coisas que me m mantêm vivo, próximo das pessoas, trocando experiências com muita gente, de todos os tipos e classes sociais”, diz. Essa vontade de conviver, ouvir e respeitar quem cruza seu caminho lhe rendeu até um prêmio de simpatia, em um concurso feito pelo Instituto Paulista de Geriatria e Gerontologia que reconhece as pessoas que mais se envolvem com a comunidade. “Não importa onde eu esteja, se em um lugar chique ou simples, cumprimento todos e sempre tento ser gentil. Em troca só recebo sorrisos, e é isso que me faz ser mais feliz”, conta. A atitude de Beatino, no entanto, costuma ser exceção. Vivendo no ritmo acelerado das cidades e preocupados apenas com os próprios interesses, temos a tendência de esquecer que existem pessoas ao nosso lado. “O ambiente urbano parece ter uma vocação natural para o conflito. Com espaços compartilhados pequenos, nos sentimos presos e acuados. Achamos que a pressa que temos em chegar a um compromisso é mais importante do que a prioridade do outro, que está ao meu lado. Manter as regras de boa convivência é um desafio que vai quase na contramão do que é esperado para esse cenário”, afirma José Guilherme Magnani, coordenador do Núcleo de Antropologia Urbana da Universidade de São Paulo (USP). Por isso, a amabilidade e o cuidado com o outro às vezes parecem estar em falta na rotina. Beatino Brito da Silva, de 79 anos, descobriu que o segredo é saber conviver com quem é diferente de nós. O ser humano, normalmente, guarda essas atitudes apenas para situações extremas, quando sente que seu grupo está em perigo. “Em momentos de aperto, de caos, nos colocamos em estado de alerta para nos proteger. E, assim, reparamos em quem precisa de ajuda ao nosso redor”, diz Magnani. “Nessas horas, é como se o nosso instinto de proteção estivesse à flor da pele, pois o lado humano desperta. Agimos de forma a proteger quem precisa para preservar o bando.” Por isso, no metrô de São Paulo, que transporta 4 milhões de pessoas por dia, a hora do rush é, curiosamente, o momento em que mais se observam gestos de atenção. Segundo dados da Companhia do Metropolitano de São Paulo, nos horários de pico os usuários são mais cuidadosos com idosos e crianças. Porém, para garantir que gestantes e deficientes tenham lugar garantido no transporte – a todas as horas –, foi necessária a instituição de uma lei que obriga os passageiros a ceder os assentos. Treze anos depois, quem anda de ônibus ou trem precisou se acostumar a se levantar para outro se sentar.
A alternativa em que há o emprego da figura de estilo intitulada personificação é