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Educação, sim, obrigado Bruna Fasano Olhar para a cidade como se ela fosse nossa é o primeiro passo para aprender a cuidar dela. Em um ambiente degradado e sujo, que não reconhecemos como nosso, tornamo-nos mais violentos – com quem está ao redor e com os lugares. “Quando as pessoas entram em um ambiente malcuidado e deteriorado, elas têm uma percepção de que ali não há dono, de que o caos domina, e por isso tendem a agir de maneira mais primitiva, menos cuidadosa, desrespeitando rotineiras regras de boa convivência”, explica Marcelo Carvalho, professor de Filosofia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). É por isso que temos a impressão de que, quanto mais descuidado for o ambiente, com lixo acumulado, estrutura danificada, pior as pessoas se comportarão. Zelar pelo espaço público, mantê-lo limpo e organizado é o primeiro passo para inibir ações de vandalismo. “Quando uma pessoa entra em um local asseado, organizado, passa a respeitar e considerar o seu entorno e os outros”, afirma Carvalho. Aprendemos cedo regras assim, de comportamento, atenção e respeito pelo espaço e pelo próximo. Isso acontece ao mesmo tempo em que reconhecemos o outro como nosso igual, também digno de atenção e cuidado. No entanto, essas são lições que requerem disciplina. Na casa da jornalista Rita Lisauska, expressões como por favor”, “obrigada” e “com licença” são repetidas à exaustão por ela e pelo filho Samuel, de 3 anos. “De tanto frisar para ele que sempre deve dizer ‘obrigado’, ele passou a usar a palavra até quando não precisa. Uma vez ele me deu um bombom e disse: “Obrigado”, conta. “Ensinar o filho a ser educado requer cuidado com as próprias atitudes. Não adianta cobrar da criança um comportamento exemplar se os pais e familiares não mostram como se faz. Nós cumprimentamos todas as pessoas que encontramos, mostramos a ele que é importante dividir e compartilhar”, afirma Rita. Mesmo criança, Samuel já percebeu que ser agradável com quem está ao seu lado às vezes é um desafio. Custa a compreender por que seus amiguinhos não agem da mesma forma e pergunta à mãe por que eles não dividem os brinquedos nem dizem “saúde” quando alguém espirra. “Não é fácil educar e mostrar as regras de conviver de forma pacífica. Mas eu realmente acredito que se ensinar bem ao meu filho ele pode passar isso aos amigos da escola, pode tratar bem os funcionários do prédio. É como se fosse uma corrente do bem, algo contagioso”, crê a mãe. Afinal, pôr em prática a gentileza e a boa educação, em qualquer idade, nos dá condições de conviver em paz com os outros, com o lugar onde estamos e, assim, construir um espaço – e uma vida – melhor.
Em “...e por isso tendem a agir de maneira mais primitiva, menos cuidadosa...”, a expressão destacada