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COMPETIÇÃO OU COOPERAÇÃO?
Há um fato que faz pensar: a crescente violência em todos os âmbitos do mundo e da sociedade. Mas há um que é perturbador: a exaltação aberta da violência, não poupando sequer o universo do entretenimento infantil. Chegamos a um ponto culminante com a construção do princípio da autodestruição. Por que chegamos a isso? Seguramente são múltiplas as causalidades estruturais e não podemos ser simplistas nesse campo. Mas há uma estrutura, erigida em princípio, que explica em grande parte a atmosfera geral de violência: a competitividade ou a concorrência sem limites.
Quem for mais apto (forte) na concorrência quanto aos preços, às facilidades de pagamento, à variedade e à qualidade, esse vence.
A competitividade opera implacável darwinismo social: seleciona os mais fortes. Estes, repetem todos, merecem sobreviver porque dinamizam a economia. Os mais fracos são peso morto, por isso são incorporados ou eliminados. Essa é a lógica feroz.
A competitividade invadiu praticamente todos os espaços: as nações, as regiões, as escolas, os esportes, as igrejas e as famílias. Para ser eficaz, a competitividade deve ser agressiva. Quem consegue atrair e dar mais vantagens? Não é de admirar que tudo passe a ser oportunidade de ganho e se transforme em mercadoria, do eletrodoméstico à religião. Os espaços pessoais e sociais que têm valor mas que não têm preço, como a gratuidade, a cooperação, a amizade, o amor, a compaixão e a devoção, ficam cada vez mais acantonados. Mas esses são os lugares onde respiramos humanamente, longe do jogo dos interesses. Seu enfraquecimento nos faz anêmicos, nos desumaniza.
Na medida em que prevalece sobre outros valores, a competitividade provoca mais e mais tensões, conflitos e violências. Ninguém aceita perder nem ser engolido pelo outro. Luta defendendo-se e atacando.
Como romper essa lógica férrea? Resgatando e dando centralidade àquilo que outrora nos fez dar o salto da animalidade à humanidade. O que nos fez deixar para trás a animalidade foi o princípio de cooperação e de cuidado. Nossos ancestrais antropóides saíam em busca de alimento. Ao invés de cada qual comer sozinho como os animais, traziam ao grupo e repartiam solidariamente entre si. Daí nasceram a cooperação, a socialidade e a linguagem. Por esse gesto inauguramos a espécie humana. Face aos mais fracos, ao invés de entregá-los à seleção natural, inventamos o cuidado e a compaixão, para mantê-los vivos entre nós.
Hoje como outrora são os valores ligados à cooperação, ao cuidado e à compaixão que limitarão a voracidade da concorrência, desarmarão os mecanismos do ódio e darão rosto humano e civilizado à fase planetária da humanidade. Importa começar já agora, para que não seja tarde demais.
“...para que não seja tarde demais.” (L.29) – a palavra demais ( grafada junto) completa adequadamente a lacuna da frase: