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EMERGENTES ENTRE O SONHO REALIZADO E A FRUSTRAÇÃO
Ela é a grande novidade no cenário econômico e demográfico do país: já é a maior fatia da população, pode decidir uma eleição sozinha, responde por quase metade do consumo nacional e compra eletrônicos, carros e até a casa própria. Mas ao mesmo tempo em que festeja esse boom de consumo, a nova classe média brasileira ainda sonha com a inclusão social, um bem maior que não é vendido no shopping e tem que ser adquirido aos poucos, num prazo ainda maior que o dos financiamentos de mercado. Essa é a principal conclusão da pesquisa "Sonhos da Nova Classe Média", um estudo qualitativo realizado em São Paulo com pessoas que ganham entre R$ 1.126 a R$ 4.854 por mês.
- Não adianta ter dinheiro para frequentar o Leblon ou o Jardins, em São Paulo, porque o linguajar é diferente, ele não estudou numa boa escola. Foram 500 anos de um país dividido entre a Casa Grande e a Senzala - diz André Toretta, que é publicitário e sócio-diretor da Ponte Estratégia, consultoria especializada em estudos sobre a classe C.
A pesquisa inclui o convívio com os entrevistados e identificou duas outras grandes categorias de sonhos: o da realização pessoal e o de consumo.
Os sonhos de realização pessoal estão ligados fundamentalmente à profissão. Mas, ao mesmo tempo em que avança o acesso aos cursos de nível superior, ainda é um privilégio escolher a profissão.
- Esse universitário da classe C primeiro vê qual universidade tem perto de casa, depois quanto custa e, por último, ele olha que curso tem. Ele não faz o curso que quer, faz o que é possível - diz Toretta.
O economista Marcelo Neri, da Fundação Getúlio Vargas, vê nas conclusões da pesquisa um reflexo da desigualdade: - Esse sonho de inclusão é um sonho de pertencer. O país gerou um potencial de consumo, de geração de renda, mas temos problemas relacionais, porque temos desigualdade, inclusive dentro de um mesmo grupo.
Neri explica que a nova classe média é heterogênea e, nas pontas, inclui a renda média da Bélgica e a da Índia. Por isso, diz, o desafio é agora avançar nas questões coletivas.
- A gente já deu aos pobres o mercado. Agora falta dar maneiras de as pessoas alavancarem seus sonhos.
(Jornal O Globo, 10 de outubro de 2010, com adaptações)
Os "emergentes" (título) a que o texto se refere constituem: