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Leia o texto a seguir e responda às questões de nº 01 a 10.
TEMPOS MODERNOS
Creio que seria otimista demais e falsearia um pouco a verdade se dissesse que sou um idoso calouro. Faz um par de anos, a depender da jurisdição em que me encontrasse, eu era idoso ou não. Hoje sou, digamos, idoso universal, habilitado a sacar da algibeira o Estatuto do Idoso e dar carteiradas triunfais em filas de banco, bilheterias de cinema e embarques de avião. E, gradualmente descobri que minha vida social é cada vez mais ocupada na base do “se hoje é sexta, então aqui deve ser o cardiologista” e faz belas amizades entre os companheiros de destino.
Antigamente não havia tantas especialidades e muita gente se entendia com apenas um médico quase a vida inteira. Agora não, agora o sujeito vai a qualquer clínico e é imediatamente mandado a uma espécie de laboratório da NASA, para fazer exames até em partes do corpo que nem sabia que tinha. O papo fica muito animado, em meio a relatos emocionantes de tomografias dramáticas, colonoscopias épicas, ultrassonografias arrebatadoras, ressonâncias magnéticas feéricas e dedadas diabólicas. Vínculos afetivos duradouros são com certeza formados pelas vítimas e é uma forma tão legítima de fazer amizade quanto qualquer outra.
É o que penso, chegando adiantado a uma sala de espera médica e me preparando para a demora. Dou um bom-dia meio entredentes ao único outro presente na sala, escolho uma cadeira perto das revistas, pego uma destas e começo a tentar me entreter com a narração do novo amor de uma personalidade de televisão.
Mas não chego a me inteirar dos detalhes desse amor febril, porque, ao ajeitar os óculos, ergui os olhos e o senhor à minha frente sorriu. Na dúvida sobre quem era, retribuí o sorriso e dei um “olá”
– Vou bem, obrigado – disse ele.
E a conversa se estendeu por horas...
(João Ubaldo Ribeiro, Jornal O Globo, 28 de fevereiro de 2010, com adaptações)
As expressões “idoso calouro” e “idoso universal”, de acordo com o contexto, são expressões: