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Cuidar e se cuidar
Ainda é muito comum, quando se fala em amor, se referir sempre ao amor ao outro, a Deus ou à humanidade. Nunca ou quase nunca se fala do amor pelas coisas da natureza, consideradas inferiores, irracionais ou sem emoção. Essa antipatia, felizmente, está diminuindo com a conscientização ecológica e é aí que a educação ambiental tem uma função decisiva na ampliação dessa nova sensibilidade. Ela pode provocar um redimensionamento do processo civilizatório.
Pascal já dizia que o homem é um caniço pensante. Somos frágeis, sim, apesar de racionais. Nós vivemos por consentimento natural, já que, a qualquer momento, essa natureza pode tirá-lo de nós. Já está comprovado que a Terra sofre, periodicamente, cataclismos que provocam mudanças drásticas no clima ou na estrutura do planeta, extinguindo uma variedade imensa de seres vivos. Desse modo, entre um homem e um caniço ela não faz nenhuma diferença. Muitas espécies continuam desaparecendo a cada dia e a realidade continua seu ritmo, indiferente a essas transformações.
Como indivíduos, a nossa passagem por aqui vai um pouco além de um século. Daí a necessidade de uma ecopedagogia que possa incentivar o cuidado generoso com as coisas da natureza para que, não só os nossos descendentes, mas os de todos os seres vivos, possam continuar a jornada de sua espécie. Quem gosta se gosta, quem ama se ama. Amar não é só fazer o que se deseja, mas aprender a gostar do que se faz. Por isso o cuidado é uma experiência do fazer, uma prática de vida e um engajamento que supõe uma ética e uma generosidade despretensiosa com todos os componentes naturais.
(...) A educação ambiental tem uma profunda responsabilidade na formação das futuras gerações. Precisamos de uma nova alfabetização, que possa mudar nossas atitudes para com o mundo e, conseqüentemente, com os outros, fazendo ressurgir uma generosidade com as coisas que, felizmente, já faz parte do ideário e do cotidiano de um número cada vez maior de pessoas no planeta. (...)
De acordo com o primeiro parágrafo do Texto I, para o autor, o conceito de amor: