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ÍNDIO QUER INTERNET
A nova tacada do Google é usar a tecnologia para dar visibilidade a ações sociais e ambientais.(...)
Em meados de junho, a nova-iorquina Rebecca Moore, 52 anos, esteve no Brasil pela primeira vez. Numa pequena sala em Cacoal, cidade de 77 mil habitantes em Rondônia, a 500 quilômetros da capital, Porto Velho, ensinou índios suruís a dar seus primeiros passos na Internet por meio de buscas no Google. Alguns digitavam “povos indígenas” e “Amazônia”, mas a maioria estava mais interessada em “Ronaldinho” e “futebol”. Rebecca conta que, num determinado momento daquela aula informal, pediu a um dos índios para entrar num site e avançar pelos links. Depois da demonstração, orientou como voltar à página inicial de busca. O aprendiz então começou a navegar sozinho, com cliques frenéticos. “Diante dos meus olhos, ele começava a entender os hiperlinks”, diz ela. “Foi fascinante”.
Rebecca é cientista da computação e gerente do Google. Veio ao Brasil para lançar o Google Earth Solidário, uma parceria da empresa com ONGs para dar visibilidade a questões socioambientais por meio de imagens de satélite.(...)
O embrião do Solidário, porém, nasceu fora da empresa, quando Rebecca era apenas uma usuária do programa. Em 2005, ela trabalhava em uma empresa de bioinformática e vivia em Santa Cruz, na Califórnia, numa casa suprida de energia solar, que ajuda a abastecer parte da vizinhança. Quando recebeu um comunicado informando que Santa Cruz era alvo de um plano de exploração de madeira aprovado pelo governo federal, a cientista usou o Google Earth para entender a questão. Pelas imagens, viu que a extração afetaria rios, seria feita a poucos metros de escolas, teria a produção escoada por caminhões em estradas frágeis e por helicópteros que transitariam durante todo o dia. Decidida a impedir isso, reuniu dados no programa e mostrou a um político e ao jornal local. O plano acabou revisto e vetado.
Algum tempo depois, Rebecca sugeriu ao Google melhorias do Google Earth. Foi contratada. Após dezoito meses, em junho de 2007, o Solidário foi lançado. Em meio a isso, Rebecca recebeu um aviso curioso: um chefe indígena brasileiro queria fazer uma parceria.
Chefe Almir, de 32 anos, é um índio incomum. Biólogo - o primeiro da tribo a ir à faculdade -, tem celular e três contas de e-mail. Como coordenador da associação que representa os quatro clãs suruís, ele queria se integrar ao resto do Brasil e criar novas formas de sustento, sem deixar sua cultura de lado.
Sua preocupação era impedir que seu povo quase desaparecesse, como acontecera após o primeiro contato com o homem branco em 1969. Vinte anos depois, a população havia caído de 5 mil para 250, por causa de epidemias de gripe e sarampo. De lá para cá, esse número aumentou. Hoje, são 1,25 mil índios.(...) “O futuro está na tecnologia, e precisamos dela se realmente queremos um diálogo com o mundo.” diz Almir.
Época Negócios, ago. 2008. (adaptado)
Glossário: Google - programa de busca de informações gerais na Internet. Google Earth - programa do Google que transmite imagens dos lugares da Terra, feitas por satélite.
Indique a opção em que as palavras ou expressões NÃO se referem ao mesmo elemento mencionado no texto.
| (A) | “...Cacoal,” (l. 3) | “cidade [...] a 500 quilômetros da capital, Porto Velho,” (l. 3-5) |
|---|---|---|
| (B) | “ ‘povos indígenas’ ” (l. 7) | “...os índios suruís...” (l. 5) |
| (C) | “...um dos índios...” (l. 10) | “O aprendiz...” (l. 13) |
| (D) | “...Google.” (l. 18) | “...da empresa...” (l. 19) |
| (E) | “um chefe indígena...” (l. 42) | “Chefe Almir,” (l. 44) |