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PODER DE VOZ
“Pra você que está subindo, pra você que está descendo: antes que o dia amanheça, está entrando no ar... o Jornal Legal.” O som vem de uma televisão posicionada em um buraco no muro de uma casa, em Sabará, no interior de Minas Gerais. E só dali. Em nenhum outro lugar do planeta é possível sintonizar a impagável TV Muro, anunciada com orgulho por seu criador, Francisco dos Santos, de 35 anos, como a menor emissora de TV do mundo.
Em 1996, Francisco comprou a primeira filmadora e passou a gravar pequenos acontecimentos na rua. Um ano depois, colocou uma TV no muro da casa e fez exibições de seus documentários caseiros aos vizinhos. O interesse foi tão grande que ele nunca mais parou. Hoje, a TV Muro faz parte da rotina da rua. Entre as atrações há lendas do bairro, histórias dos moradores mais antigos e também cobranças de melhorias às autoridades – como o semáforo na frente da escola, reivindicação atendida da qual Francisco se orgulha. As reuniões de pauta, em que se definem os assuntos que serão abordados nos programas, são transmitidas ao vivo, com direito a palpite dos espectadores que estão na calçada. “Sem a participação da comunidade, a TV não tem graça”, diz Francisco.
O objetivo inicial dele era apenas divulgar suas produções e entreter os vizinhos. Mas, mesmo de forma improvisada, Francisco acabou atingindo algo muito maior. A TV Muro é uma demonstração prática da importância da comunicação comunitária. São canais de troca de informação – TV, rádio, jornal, blog, revista, mural e o que mais vier – construídos por e para os vizinhos, sem passar pelos interesses externos de grandes empresas de mídia. (...)
Conversando a gente se entende
Aumentar o interesse pelo progresso coletivo foi o grande desafio que a corretora de imóveis Verônica Andrade, de 37 anos, assumiu quando se tornou síndica do prédio onde mora, em São Paulo. Pelo que se via nas reuniões de condomínio, sempre vazias, seria difícil contar com a colaboração dos vizinhos para melhorar alguma coisa. Ela percebeu que a raiz do problema estava na falta de comunicação. “Tinha gente que morava no mesmo prédio, trabalhava na mesma empresa e sequer se conhecia”, conta. (...)
Verônica passou a organizar churrascos e happy hours e criou uma lista de discussão via e-mail. Deu certo. “As pessoas passaram a compartilhar mais sugestões e a discutir soluções”, afirma.
Assinale a opção em que a concordância está correta.